quarta-feira, 3 de junho de 2015

Do amor



A gente se viu, parados, de canto...
Fez-se na hora o alarde devido.
Mal sabia eu que, dali, surgia um encanto.
Vi-me no olhar pelo qual fui arremetido.

Fui vendo, aos poucos, se criando
Algo de bom que hoje me perfaz.
Mal sabia eu que, me apaixonando,
Estaria, enfim, redivivo, alcançando a paz.

A paz que faltava, que há tempos eu queria,
Em vendo teus olhos, através deles encontrei.
Em tendo teus braços, toda minh`alma sorria:
Era o amor que faltava - antes, não sabia; hoje sei.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Palavras longevas



Eis que grito: "não me venha com meias verdades em palavras ditas e caladas, pela metade..."

Quero, decerto, versões inteiras, em palavras longevas, de discursos consonantes.
Quero sentimentos íntegros e sinceros para além de um, se porventura haja, passado chulo,
Que façam romperem-se nos ímpetos de alcançar o amor real.
O que houver ademais, é nulo!
O que não for demais, eu pulo!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Alma não tem cor

Alma não tem cor. Se houvesse de ter, qual cor então teria Deus, se alma Ele tivesse? Se o céu, que é azul, é onde Deus habita, que falaríamos nós da terra, marrom que é, ou das matas, verdes que são, que, em suas cores, do céu diferem? São menos de Deus (ou para Deus) que qualquer outra coisa? Nem mesmo o céu, tal como é: casa de Deus, sabe escolher sua cor, afinal é claro de dia, escuro à noite...

Quiçá houvesse nas anotações de Deus um privilégio dessa ou daquela cor, mas, caso Ele tenha diferenciado em seus julgamentos umas das outras, guardou para si seu próprio referendo. Não quero aqui adentrar em temáticas amplas, ou quaisquer polêmicas que haja. Quero apenas dizer que alma não tem cor, nem amor verdadeiro tem dissabor ou credo ou pudor. Nem tampouco há espaço (ou contextos) para que eu e tu de nós mesmos nos afastemos. Ademais, de eu e tu, o mais real que há é: somos meramente dois pronomes. Nem mesmo a gramática nos diferencia.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier