O erotismo suplantou em muito o romantismo em nossos dias. Vivemos uma sociedade alienada de tão imersos em prazeres corriqueiros de uma vida banal, não sabendo mais existir, pelo que parece, além deles enquanto realidade. Quantos são os casais que sabem hoje entenderem-se mediante dificuldades de ambos os lados ou da vida? Quais são os seres que conhecemos hoje que convivem sob um mesmo teto, baseando-se no amor tal qual antigas histórias nos contavam, sob o romantismo, norteando-se pelos moldes eternos do conceito de família que jaz empoeirado em nossa psiquê? Onde estão hoje as demandas pelos conceitos de fidelidade, retidão, paternidade e maternidade exercidos além do egoísmo da busca moderna do ''ser feliz'' mediante prazeres efêmeros do mundo atual? Estamos muito mais próximos da solidão desesperançada, e a cada dia mais palpável, que do amor verdadeiro e puro que, hoje, se existe, jaz por aí despedaçado.
Não mais sabemos amar puramente na forma de amor que costumávamos ouvir histórias contadas a nós. Confunde-se hoje tal sentimento com infindas coisas, menos com o que de fato ele se propõe a ser, pois: amor é entrega, é superação, é dedicação e, em muito, devoção para com o outro, antes mesmo que a nós mesmos. Porém, perdemo-nos em meio às liberdades tidas como licitas de nossa época. Em meio a elas, tem-se dado muito mais valor à subjugação dos seres aos prazeres meramente orgânicos, em especial sexuais, que aos prazeres da alma, digamos assim! Tal maneira é a que vivemos que, hoje, pais e mães abandonam suas famílias, seus lares por aventuras sexuais quaisquer (ou desventuras sexuais), deixando rastros inimagináveis de traumas e sequelas nas mentes pueris de seus filhos. O prazer, o gozo em si, tornou-se mais palpável, mais perseguido e mais real nas mentes carentes do mundo medíocre de hoje que o amor puro outrora definido como ''eterno enquanto dure'', mediante ao que antes imaginava-se existir.
Tem-se dado muito mais valor aos prazeres vividos no espaço físico da cama - berço primário da vida sexual, até se prove o contrário - que aos prazeres da fidelidade, do amor, do romantismo, da família propriamente dita, dos desfrutes belos de uma vida a dois ... É este um fato que muitos discordam, com certeza! Mas que fique apenas como minha opinião, baseada em devaneios meus. Respeito a opinião de todos. Desde já, deixo aqui manifesto meu respeito. Vejo que muitos defendem as liberdades que temos nos dias de hoje como benfazejas, é fato!
Seguindo o raciocínio moderno no que diz respeito aos moldes pelos quais guiam-se as vidas pela realidade afora, a qualquer momento podem ser desfeitos casamentos, relacionamentos quais sejam, abandonando-se ideais conjuntamente traçadas, ou as famílias construídas, ou os filhos gerados, para ''facilitar'' a busca dos ''prazeres da vida'', em especial prazeres frívolos e fugazes, sejam eles materiais e/ou do sexo. Estamos tornando-nos um tanto quanto primitivos, deixando sensações falarem mais alto que sentimentos e valores. Aproveitar a vida ganhou moldes um tanto quanto ''modernos'' demais para meu gosto! Trago em mim um tanto de espanto sobre qual mundo deixarei aos meus filhos - se é que eu os terei, pois não quero deixá-los num mundo tal qual ou pior ao de hoje! É tão comum o destroçamento do conceito de amor (queira-se ou não é o real e puro vínculo entre os seres), que não mais nos atentamos à perdição em que nos inserimos, trazendo como habitual a realidade do mundo de hoje.
Qual mensagem passamos às atuais e futuras gerações? Qual foi ou foram os benefícios alcançados com tal liberdade extremada? É triste o cenário que, em minha cabeça, em meus pensamentos, teremos para um futuro não muito distante! Nossos filhos hoje já nascem com a certeza de que casamentos são algo facilmente desfeitos - se é que têm nascido sob a égide de um lar, de uma família propriamente dita. Logo, não teremos mais os exemplos de amor eterno que inspiravam poemas apaixonados de poetas ''tolos'' de outrora, ou dos velhos dizeres de ''na saúde e na doença'', ou ''na alegria e na tristeza'' conforme nos habituamos a ouvir sendo, nos dias de hoje, falsamente repetidos de uma maneira quase maquinal. Em nossos dias, bastam alguns momentos de infelicidade divididos que casais optam pelo fim de seus relacionamentos. O ''amor'' de nossos dias esfacela-se facilmente tal qual um castelo de cartas ao vento. Não mais sabemos dividir tempo e sentimentos em meio a dificuldades de convívio ou da vida no geral. Em que momento nos perdemos?
Não baseamos mais nossos relacionamentos em buscas de longo prazo, tentando encontrar alguém que nos será o amor da vida, para desfrutar de problemas, de alegrias e de tristezas sob o teto de um lar, de uma família construída inicialmente a dois. Apenas baseamo-nos em prazeres efêmeros e algo desencontrados, de tal forma que os deleites da vida de hoje nada têm de planejamento para a vida futura que, esperemos ou não, se nos chegará. Vivemos pelo gozo! Tornamo-nos viciados nas liberdades de nossos dias, não mais estando atentos ou interessados aos nossos papéis de exemplos às gerações futuras e aos jovens que perambulam, já hoje, perdidos em nossos dias sem referências, sem pais, nem mães, nem nada que se lhes mostre como exemplo de amor eterno, puro e verdadeiro. O amor verdadeiro e real, se é que ainda existe em meio a isso, passou a ser figura de ''museu'', habitando a memória dos saudosos dos tempos de outrora, ou ainda algo arquivado apenas no DNA da raça humana, caso fosse possível descobrir isso - com as últimas esperanças sendo colocadas, nesse caso, na genética para um futuro que se nos chegue como salvador. Como temos agido perdidamente nos dias de hoje...
Embora ainda haja exemplos fora desse padrão, vê-se que mulheres tornaram-se meramente alvo de ''caça'' dos homens nas noites em busca dos prazeres e elas próprias regozijam-se, muitas vezes, em se vendo assim, meramente um instrumento de subjugação ao sexo masculino, sendo ''caçadas'' como alvo do prazer. Homens, hoje, fazem-se de manequins da moda torpe e corriqueira atualmente imposta, mantendo-se apenas como corpos ditos ''sarados'', aos moldes capitalistas de beleza, sendo vistos como bom partido se obedecem a esse molde. Tentam, através disso, esboçar uma falsa visão de masculinidade, um tanto quanto perdida - muito simplesmente trajada nesse, ínterim, como meramente um padrão de atitudes e valores sem qualquer valor, digamos assim. Mulheres e homens obedecem cegamente aos moldes ditados pelas redes de TV e pela própria sociedade dita moderna, tão imensamente perdida em nossos tempos sem modelos reais servindo-nos de referência.
Somos um emaranhado de neurônios desempregados, pois não mais necessitamos pensar ou refletir sobre o dia a dia. Para desfrutar dos prazeres da realidade banal de nossos dias, basta a nós estarmos adequados aos ditames da mídia, da moda... Tal é isso que ler (um bom livro!) virou obsoleto; malhar o corpo sim tornou-se uma realidade palpável e almejada; estudar meramente serve para preencher pré-requisitos para empregos que paguem melhor, não mais para sermos cultos ou interessantes do ponto de vista cognitivo, de tal forma que nossos filhos pudessem em nós mesmos se espelhar como exemplos de mentes pensantes.
Aonde está nosso bom senso? Aonde estão nossos ídolos, nossos heróis? São hoje homens e mulheres sem qualquer valor moral (como prioritário!), na maioria da vezes. Os ''heróis da mídia'' tornam-se os ''heróis da realidade'', sendo seguidos como modelos de ''felicidades''. Assim, temos apenas um monte de mulheres e homens vazios submersos em um corpo oco, revestido de músculos, mas sem necessidade de um cérebro atuante. De cérebro, poucos ou quase nenhum de nós se utiliza para alcançar a felicidade e a plenitude que nos são ditas como referência e meta. Enfim, são muitos os devaneios possíveis sobre esse mundo que a cada dia perde-se mais e mais, destituído de belezas reais ou referências morais! Vivemos uma realidade desfocada, fria, sem cores, num momento da história humana banhado, pelo que concluo, em cinquenta tons de cor nenhuma...


Parabéns pelo texto edificante.
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