segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A noite em muito se me parece


Quero sumir, posso? Ora, é estranho mesmo! Nunca imaginei que deixaria para outros os meus sonhos, mas é a realidade que tenho por fado hoje. Desisti de mim, a bem dizer. Cansei de buscar sonhos... Não sou um bom sonhador, quem sabe... Ou melhor: não sou um bom "realizador" de sonhos. Nem mesmo o sonho de ficar bem eu alcanço, quiçá haveria outra alternativa para os demais sonhos cotidianos...? Sabedor disso tudo, por vezes, parado olhando a ausência de movimento nas ruas, em plena noite da cidade, fico perdido como os semáforos que ascendem e apagam para carro nenhum. Sim, sem sentido ou objetivo! Refleti sobre isso certa noite em que caminhei pensando...

Não é fácil caminhar doente. Sim, tenho andado doente há anos. Doente das emoções, sabe? Não houve remédios que me curassem desde o início de tudo! Por vezes, há um lapso de momento bom em mim. Deixo ele existir, mas sei, desde o início dele: vai passar! Morre no máximo um ou dois dias após aquele "eu feliz" que por instantes havia. 

A noite que há - escura, silenciosa e sem testemunhas - é algo semelhante a mim! Sou a cada dia mais obscuro! Enegrecidos se mostram meus pensamentos e enevoado meu futuro. O silêncio tornou-se padrão em mim. Não tenho mais atenção aos momentos de coletividade e de socializar... Sou a cada dia mais ensimesmado! E, em sendo assim: não há testemunhas sobre o que sinto, sofro ou penso! Tudo é um enorme silêncio em diálogo mental em que "eu" e "mim" entramos em debate e tiramos conclusões pessimistas. Logo, a noite em muito se me parece! A feliz conclusão que chego é: sendo eu parecido com a noite, uma certeza há: assim como ela acaba, eu também hei de acabar - cedo ou tarde!

Talvez chegue então o dia em que passe essa noite. A natureza não é assim, cíclica? Sim! Eu sou parte da natureza, um animal qualquer. Faço falta? Acho que não! Se eu morresse hoje, que mal faria ao mundo? Quem notaria? No máximo meia dúzia de pessoas que passaram por mim sem ver doença alguma ou notar algo de errado... 

Entristecido e pessimista, concluo: das pessoas que passam e me veem diuturnamente: quem delas me enxerga? Será tão difícil assim estender a mão ao que diante de si aparenta sofrer? Será que mudança de hábitos, poucos sorrisos, cotidiano embotado não dizem algo? Devo estar me fazendo de coitado, decerto... Creio, entretanto, que: se dizem algo essas mudanças de comportamento, pouco sonoro é aquilo que se faz dito, ou seu clamor. Pois quem percebe? Ninguém! Ninguém... Viver é desfrutar da solidão acompanhado de várias pessoas.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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