terça-feira, 15 de janeiro de 2013

À deriva


O futuro é um papel em branco onde tudo pode se escrever, se inscrever ou se transcrever! Basta-nos ter a caneta da vida em punho e tempo para que as próximas páginas sejam escritas, manifestando-se nas páginas em branco adiante. Simples! Porém, temos mãos frágeis demais para carregar o peso da caneta da vida.  Temos pouca criatividade para escrever por nós mesmos nossa própria história. Estamos ocupados demais em tremer de medo perante a realidade mostrada nos telejornais. Estamos ansiosos demais, perdidos em nosso tempo por detrás das telas da TV. Estamos sufocados demais embaixo de um monte de exageros, vícios e pouca atenção aos rumos de nossa vida! À deriva, é o que sinto. Restam-nos ruínas de nós mesmos!

A derrocada da sociedade iniciou-se quando passamos a crer que possuir coisas é mais importante que qualquer outro fato, mais importante que amar verdadeiramente, mais importante que solidariedade, ou que a fé, ou que sonhar inclusive. Não se fazem mais mães dedicadas aos seus filhos hoje. Não se fazem mais pais dedicados às suas famílias. Não se fazem mais pessoas dedicadas às causas sociais. Somos um exército inerte esperando a derrota de nosso exército humano espalhado em um campo de guerra. Somos um bando de pessoas perdidas num mar de desespero traçado por nós mesmos.

O que fazer nos dias de hoje para que, num futuro próximo, os filhos dessa geração sejam felizes? Estamos apenas deixando rituais malucos, na forma de rotinas, de assistir TV, TV, TV todos os dias. Não temos mais tempo para pensar com nossas cabeças, nem mesmo para ficarmos reunidos em família e saber dos problemas que uns e outros de nossos amados tem passado nos seus dias de luta. Não conversamos mais em grupos, apenas bebemos e nos drogamos nas noites de desespero e solidão retratadas como parte das liberdades advindas das baladas do mundo moderno. Um retrato social triste! Nossos filhos estão obesos, preguiçosos, sedentários, doentes. Sem exemplos de pais, de amigos, de ídolos. Nossos heróis morreram! Somos vilões em meio a mais vilões que são tidos por nós como os exemplos à nossa sociedade. Somos um povo doente, sem diagnóstico firmado! Somos pacientes relapsos!

Roubam-nos! Matam pessoas! Destroem famílias por todos os cantos de nosso país. O que temos feito? Apenas esperamos o término do noticiário e então aguardamos as novelas que virão após. Nada nos comove mais que os amores entre os mocinhos e mocinhas das novelas! O sofrimento real que vemos nos jornais parece-nos ser o mundo de ficção. Invertemos as coisas. Nada nos faz mover-nos do comodismo absurdo em que estamos afogados. Somos um povo inerte. Somos maus exemplos às novas gerações!

Do futuro, o que esperar? Nada! Apenas resta-nos torcer para que ele, de fato, chegue. Além disso, resta-nos torcer para que os filhos de nossa geração sejam melhores que nós e que não nos sigam como exemplo. Dessa forma, otimismo é pouco para nossas necessidades. Esperanças? O que dizer? Cabe-nos apenas esperar, pois esse é o legado de nossa geração: esperar por melhorias, sempre de braços cruzados. É o advento do mundo tecnológico com pessoas ligadas às tomadas de suas TVs. Sem TV, ninguém vive mais; com o poder delas, ninguém pensa mais pela própria cabeça. Estamos morrendo cognitivamente! Somos um mar de gente inerte. Que os filhos de nossas geração sejam melhor que nós. É o que nos resta esperar? Creio que sim!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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