domingo, 20 de janeiro de 2013

Ao amigo Caeiro

(obra de Salvador Dali)


Quem dera ver-me cantando aos montes e prados como se não houvesse tristezas no mundo. Um monte é um amontoado de terras como eu, ignorante que sou, vejo-me como um amontoado de tristezas. Triste em meio a uma pitada de alegrias incontestáveis. Todavia, aos poucos entendo: o mundo não é feito para ser sofrido, mas simplesmente vivido! E que vivamos a vida de forma correta como um vento que passa e, ruidoso ou não, passa sem que para isso precise pensar ou sofrer.

A vida é tal como esse vento que flui, qual um sopro de Deus. Entendes? Nós, os seres, simplesmente somos tal qual temos sido e seremos! Nada além disso,  caso contrário não nos apelidariam de “seres”. Não há espaço para metafísica nisso! Somos o que somos e pronto - efêmeros como vento. Isso é a realidade que deve bastar a nós, pois é o que temos de real! 

Incontáveis vezes o desespero se nos apresenta à porta de nossos dias. E, num lampejo de desatino, desesperamo-nos como quem nunca tivesse vivido antes ou sofrido um primeiro sofrimento. Cansamo-nos da vida por sermos seres que demasiadamente perdem tempo em tanto pensar e medir as coisas. Entendi por fim que há metafísica demais em nossas mentes e pouca (bem pouca) na natureza. 

Vivamos o natural, a realidade que se nos mostra incontestável, apenas isso! Deixemo-nos passar como o vento e aprendamos a permitir que as coisas passem também, como coisas que elas também são! Seremos felizes, conforme Caeiro, se assim fizermos. Basta-nos entender!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nota: Caeiro faz referência a Alberto Caeiro, pseudônimo usado por Fernando Pessoa, retratando-se em poesias onde o autor queria apenas o natural nas coisas,  sem pensar demais, apenas o natural.

Nenhum comentário:

Postar um comentário