Quando eu morrer, quero que eu vá rememorando Suassuna, deixando em minha lápide a seguinte frase: "Encontrou-se com o mal irremediável (...) porque tudo que é vivo, morre". Quem sou eu para pensar-me distinto de outrem e decidir por não aceitar morrer?
Todos nós, assim que nascemos, criamos uma dívida com a existência. Tal dívida, pagamos com a morte. Ambos, nascer e morrer, nos são dados gratuitamente. Do primeiro, nunca teremos oportunidade de pretender e nem mesmo nos perguntam nada sobre. Do segundo, entretanto, podemos criar aspectos pessoais nele, trazendo tal pagamento para antes da devida hora determinada... Sabe-se lá.
Cada um paga sua dívida conforme acredite ser correto, ou aceite ser dentro de suas possibilidades, não? Entendo então quem queira pagar sua dívida antes e também quem nunca queira pagar, esperando permanecer vivo eternamente. Eu, de minha parte, quero morrer ao devido tempo da estipulada dívida, tempo esse que me foi confiado por minha existência desde o nascer.
Vivo, aguardarei minha sentença, mas nada de trazê-la para antes de seu devido tempo. Não sou de antecipar pagamentos. Sabe-se lá qual dívida nova estaria eu criando...? Eis então que serei apenas testemunha do dia do pagamento, não, entretanto, farei de mim criador de nova dívida. Sabe-se lá como ela seria cobrada...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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