domingo, 24 de fevereiro de 2013

50 tons de cor nenhuma




O erotismo suplantou em muito o romantismo em nossos dias. Vivemos uma sociedade alienada de tão imersos em prazeres corriqueiros de uma vida banal, não sabendo mais existir, pelo que parece, além deles enquanto realidade. Quantos são os casais que sabem hoje entenderem-se mediante dificuldades de ambos os lados ou da vida? Quais são os seres que conhecemos hoje que convivem sob um mesmo teto, baseando-se no amor tal qual antigas histórias nos contavam, sob o romantismo, norteando-se pelos moldes eternos do conceito de família que jaz empoeirado em nossa psiquê? Onde estão hoje as demandas pelos conceitos de fidelidade, retidão, paternidade e maternidade exercidos além do egoísmo da busca moderna do ''ser feliz'' mediante prazeres efêmeros do mundo atual? Estamos muito mais próximos da solidão desesperançada, e a cada dia mais palpável, que do amor verdadeiro e puro que, hoje, se existe, jaz por aí despedaçado. 

Não mais sabemos amar puramente na forma de amor que costumávamos ouvir histórias contadas a nós. Confunde-se hoje tal sentimento com infindas coisas, menos com o que de fato ele se propõe a ser, pois: amor é entrega, é superação, é dedicação e, em muito, devoção para com o outro, antes mesmo que a nós mesmos. Porém, perdemo-nos em meio às liberdades tidas como licitas de nossa época. Em meio a elas, tem-se dado muito mais valor à subjugação dos seres aos prazeres meramente orgânicos, em especial sexuais, que aos prazeres da alma, digamos assim! Tal maneira é a que vivemos que, hoje, pais e mães abandonam suas famílias, seus lares por aventuras sexuais quaisquer (ou desventuras sexuais), deixando rastros inimagináveis de traumas e sequelas nas mentes pueris de seus filhos. O prazer, o gozo em si, tornou-se mais palpável, mais perseguido e mais real nas mentes carentes do mundo medíocre de hoje que o amor puro outrora definido como ''eterno enquanto dure'', mediante ao que antes imaginava-se existir. 

Tem-se dado muito mais valor aos prazeres vividos no espaço físico da cama - berço primário da vida sexual, até se prove o contrário - que aos prazeres da fidelidade, do amor, do romantismo, da família propriamente dita, dos desfrutes belos de uma vida a dois ... É este um fato que muitos discordam, com certeza! Mas que fique apenas como minha opinião, baseada em devaneios meus. Respeito a opinião de todos. Desde já, deixo aqui manifesto meu respeito. Vejo que muitos defendem as liberdades que temos nos dias de hoje como benfazejas, é fato! 

Seguindo o raciocínio moderno no que diz respeito aos moldes pelos quais guiam-se as vidas pela realidade afora, a qualquer momento podem ser desfeitos casamentos, relacionamentos quais sejam, abandonando-se ideais conjuntamente traçadas, ou as famílias construídas, ou os filhos gerados, para ''facilitar'' a busca dos ''prazeres da vida'', em especial prazeres frívolos e fugazes, sejam eles materiais e/ou do sexo. Estamos tornando-nos um tanto quanto primitivos, deixando sensações falarem mais alto que sentimentos e valores. Aproveitar a vida ganhou moldes um tanto quanto ''modernos'' demais para meu gosto! Trago em mim um tanto de espanto sobre qual mundo deixarei aos meus filhos - se é que eu os terei, pois não quero deixá-los num mundo tal qual ou pior ao de hoje! É tão comum o destroçamento do conceito de amor (queira-se ou não é o real e puro vínculo entre os seres), que não mais nos atentamos à perdição em que nos inserimos, trazendo como habitual a realidade do mundo de hoje.

Qual mensagem passamos às atuais e futuras gerações? Qual foi ou foram os benefícios alcançados com tal liberdade extremada? É triste o cenário que, em minha cabeça, em meus pensamentos, teremos para um futuro não muito distante! Nossos filhos hoje já nascem com a certeza de que casamentos são algo facilmente desfeitos - se é que têm nascido sob a égide de um lar, de uma família propriamente dita. Logo, não teremos mais os exemplos de amor eterno que inspiravam poemas apaixonados de poetas ''tolos'' de outrora, ou dos velhos dizeres de ''na saúde e na doença'', ou ''na alegria e na tristeza'' conforme nos habituamos a ouvir sendo, nos dias de hoje, falsamente repetidos de uma maneira quase maquinal. Em nossos dias, bastam alguns momentos de infelicidade divididos que casais optam pelo fim de seus relacionamentos. O ''amor'' de nossos dias esfacela-se facilmente tal qual um castelo de cartas ao vento. Não mais sabemos dividir tempo e sentimentos em meio a dificuldades de convívio ou da vida no geral. Em que momento nos perdemos?

Não baseamos mais nossos relacionamentos em buscas de longo prazo, tentando encontrar alguém que  nos será o amor da vida, para desfrutar de problemas, de alegrias e de tristezas sob o teto de um lar, de uma família construída inicialmente a dois. Apenas baseamo-nos em prazeres efêmeros e algo desencontrados, de tal forma que os deleites da vida de hoje nada têm de planejamento para a vida futura que, esperemos ou não, se nos chegará. Vivemos pelo gozo! Tornamo-nos viciados nas liberdades de nossos dias, não mais estando atentos ou interessados aos nossos papéis de exemplos às gerações futuras e aos jovens que perambulam, já hoje, perdidos em nossos dias sem referências, sem pais, nem mães, nem nada que se lhes mostre como exemplo de amor eterno, puro e verdadeiro. O amor verdadeiro e real, se é que ainda existe em meio a isso, passou a ser figura de ''museu'', habitando a memória dos saudosos dos tempos de outrora, ou ainda algo arquivado apenas no DNA da raça humana, caso fosse possível descobrir isso - com as últimas esperanças sendo colocadas, nesse caso, na genética para um futuro que se nos chegue como salvador. Como temos agido perdidamente nos dias de hoje...  

Embora ainda haja exemplos fora desse padrão, vê-se que mulheres tornaram-se meramente alvo de ''caça'' dos homens nas noites em busca dos prazeres e elas próprias regozijam-se, muitas vezes, em se vendo assim, meramente um instrumento de subjugação ao sexo masculino, sendo ''caçadas'' como alvo do prazer. Homens, hoje, fazem-se de manequins da moda torpe e corriqueira atualmente imposta, mantendo-se apenas como corpos ditos ''sarados'', aos moldes capitalistas de beleza, sendo vistos como bom partido se obedecem a esse molde. Tentam, através disso, esboçar uma falsa visão de masculinidade, um tanto quanto perdida - muito simplesmente trajada nesse, ínterim, como meramente um padrão de atitudes e valores sem qualquer valor, digamos assim. Mulheres e homens obedecem cegamente aos moldes ditados pelas redes de TV e pela própria sociedade dita moderna, tão imensamente perdida em nossos tempos sem modelos reais servindo-nos de referência. 

Somos um emaranhado de neurônios desempregados, pois não mais necessitamos pensar ou refletir sobre o dia a dia. Para desfrutar dos prazeres da realidade banal de nossos dias, basta a nós estarmos adequados aos ditames da mídia, da moda... Tal é isso que ler (um bom livro!) virou obsoleto; malhar o corpo sim tornou-se uma realidade palpável e almejada; estudar meramente serve para preencher pré-requisitos para empregos que paguem melhor, não mais para sermos cultos ou interessantes do ponto de vista cognitivo, de tal forma que nossos filhos pudessem em nós mesmos se espelhar como exemplos de mentes pensantes.

Aonde está nosso bom senso? Aonde estão nossos ídolos, nossos heróis?  São hoje homens e mulheres sem qualquer valor moral (como prioritário!), na maioria da vezes. Os ''heróis da mídia'' tornam-se os ''heróis da realidade'', sendo seguidos como modelos de ''felicidades''. Assim, temos apenas um monte de mulheres e homens vazios submersos em um corpo oco, revestido de músculos, mas sem necessidade de um cérebro atuante. De cérebro, poucos ou quase nenhum de nós se utiliza para alcançar a felicidade e a plenitude que nos são ditas como referência e meta. Enfim, são muitos os devaneios possíveis sobre esse mundo que a cada dia perde-se mais e mais, destituído de belezas reais ou referências morais! Vivemos uma realidade desfocada, fria, sem cores, num momento da história humana banhado, pelo que concluo, em cinquenta tons de cor nenhuma...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



domingo, 3 de fevereiro de 2013

Brasil, um país de tolos ou ''Brasil, um país de todos'' ?



Caso política fosse encarada com o mesmo interesse e ânimo com que os brasileiros encaram futebol, teríamos um país bem melhor, penso eu! É engraçado: ganham-se jogos e todos saem às ruas para ''reivindicar'' méritos e glórias aos seus clubes milionários de futebol, ficando roucos de tanto gritar. Porém, infelizmente ou não, o futebol que aplaudimos com tanta veemência nada mais é que um bando de homens milionários, correndo atrás de uma bola, defendendo clubes milionários, dentro de estádios construídos com interesses apenas de proporcionar a famosa prática do ''pão e circo'', enquanto o povo, em importante parcela pobre, aplaude nas arquibancadas, expostos às violências e desordem que o futebol no Brasil incita, fazendo com que todos com isso sofram!

Se poluição sonora fosse motivo de multas, muitas prefeituras ficariam ricas por motivo de futebol, afinal inúmeros cidadãos saem às ruas para buzinar em carreatas quando seus times vencem - quer seja um jogo, quer seja um campeonato. A esses cidadãos, alguém os deveria explicar que futebol não é nada mais que um simples esporte! Queria ver carreatas e buzinaços reivindicando melhoras sociais, ao invés do que ocorre após jogos de futebol

Será mesmo que precisávamos de uma Copa, ou de tanto dinheiro investido em futebol? Sem falar dos desvios de verbas (e de conduta) que permeiam a construção desses elefantes brancos para abrigar os ''espetáculos'' da opulência desse esporte do qual somos tidos como exímios praticantes! Ao mesmo tempo em que vejo isso, paro e penso: políticos condenados por seus crimes ficam à solta e assumem seus cargos (sem qualquer pudor). Quanto a isso, alguém foi à rua manifestar-se contrário? Verdadeiros ''barões'' ou ''coronéis'' mantém-se com seus poderes, sendo eleitos eleição após eleição, independente dos infinitos escândalos. Alguma reivindicação quanto a isso? Tantos escândalos e desvios de verba e de conduta, mas todos apenas ficam calados, esperando que alguém, sempre alguém, tome a providência correta. Dinheiros em cuecas, helicópteros com cocaína e aeroportos em fazendas não nos incitam pavor de nosso sistema político. Somos direcionados à imbecilidade e gostamos disso - não é mentira dizer isso.

Brasileiros de fato são um povo muito religioso, afinal esperam milagres em tudo. Sempre esperam por um mártir que os salve! Temos o país que merecemos enquanto povo medíocre que somos, infelizmente! Maldito Pedro Álvares Cabral que resolveu um dia navegar e deu o primeiro passo para alcançarmos essa realidade que temos hoje, dando-nos a tristeza de termos nisso que vemos a nossa pátria! Já esquecemos do que tantos partidos gastaram por motivo do ''pão e circo '' da Copa. Alguns até devem ter dito em suas rodas de bate-papo que foi ótimo terem sido gastos os tantos milhões (fora os desvios) para construir os estádios, seja o Mineirão ou qualquer outro, ou por termos recebido em nosso país essa tal competição de futebol. Somos o país do futebol, afinal. Ótimo. E daí? Para quê ou a quem isso interessa? Aos olhos alheios, creio eu...

Futebol não é religião, mas todos atuam nesse cenário como se os jogadores fossem deuses e seus estádios (construídos com dinheiro público, inclusive!) verdadeiras catedrais da bola! Brigam, matam por seus times, fazem de tudo por eles...  Mas e por seu país? O que fazem? Infelizmente apenas esperam que alguém surja. Sempre aguardam um mártir, quase um santo, que de uma hora para outra nos redima e melhore tudo por aqui. Seria apenas necessário apertar dois números diferentes para eleição de presidente e todos nós estaríamos salvos, sóbrios, livres. Simplista demais, não? Porém muito confortável e conveniente ser-nos exigido apenas isso como ''mudança''. Somos simplistas demais e preguiçosos no pensar, poderíamos dizer. Não vemos o todo. Vemos apenas o que nos ensinam. Isso é a mesma coisa para a TV e a mídia no geral. Não refletimos. É parte da nossa postura educandos e parte do nosso sistema educacional o qual o mestre Rubem Alves sempre lutou por mudanças, pensando que seria melhor que aprendêssemos mais com liberdade de pensar. Mas não cabe discutir isso aqui... Nem mesmo valeria a pena. Salve, salve, Rubem Alves!

Além de tudo, o que mais me assusta diante da ignorância que nossa postura retrata é a hipocrisia velada. Iniciam-se as semanas e todos ficam reclamando dos políticos, dos seus escândalos, das enormes filas nos hospitais, dos enormes buracos nas estradas, da falta de segurança nas ruas e da inércia dos nossos governantes diante dessa realidade - como se dependesse apenas deles mudar nossa situação! O que nós, enquanto povo, enquanto cidadãos e trabalhadores temos feito por nosso país? Exigirmos de nós a ética e lutamos contra as pequenas corrupções do dia a dia como, p.ex. abdicar das carteiras de estudante falsas tão difundidas por aí? Não! Mas carreatas e buzinaços por causa de futebol, tantos e mais tantos assim procedem gastando litros de gasolina com isso com os quais nem se preocupam - mas reclamam no dia seguinte do aumento dela! Brasileiro adora reclamar e esperar de algo superior a devida mudança. Parabéns para nós! Preguiçosos que somos em nosso confortável entorpecimento. 

Até quanto vamos ficar esperando por um mártir que nos salve sem precisar de esforço pessoal ou coletivo? De fato, concluo em meus devaneios, que a pior arma de destruição em massa é a ignorância de um povo! Somos muito belicosos pensando assim. A ignorância de uma sociedade destrói mais gerações e conquistas que qualquer bomba atômica! Será? Acho que sim. Absolvo-me por pensar dessa forma. Porém, quem está preocupado com isso? Temos, de fato, o país que merecemos: pão e circo ao povo - e tudo basta. E ainda nem chegou o carnaval - oficialmente!

Há várias cores de partidos políticos em nosso país. Um ou outro chamado de vilão exclusivo como se fechássemos os olhos aos demais; alguns dos outros são tidos por expoentes da ética e mudança. Dou gargalhadas ao pensar nisso... Porém, quanto às cores de nosso país, ás cores de nossos partidos, aos que não são cegos, vê-se apenas a cor de luto adquirida de nosso cenário político nacional. Olhos, entendo hoje, veem o que querem, não o que se lhes apresenta.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Afinal, que país é esse?


O que dizer de nosso país? Quero só ver agora, com as novidades da famosa Lei Seca. E quanto ao transporte público? É um tema relevante demais para ser esquecido. Falemos menos dos embriagados dirigindo seus carros e falemos mais dos ignorantes de nossos políticos que nos mantém escravos, sim, escravos de um sistema público de transporte pífio. Sem falar de nossas estradas medíocres.

Se houvesse transporte decente, é óbvio que infinitas das mortes do trânsito que ocorrem e ocorreram não seriam fato nas estatísticas. Se nossos cidadãos fossem educados, tanto cognitivo quanto moralmente, não haveria tantos riscos ao sairmos de carro ou a pé às ruas. As pessoas compram carros e mais carros pela falta de transporte público decente - talvez o principal motivo. Mas, afinal, quanto aos fatos que vemos, todos os brasileiros, como sempre, aceitam tudo silenciosamente. Somos ''vaquinhas de presépio'' sempre achando bom e dizendo ''sim!'' balançando nossas cabeças tão provavelmente ocas.

Aumento da gasolina, ''bispos'' milionários levando dinheiro dos fiéis, desvios de dinheiro todos os dias dos cofres públicos, violência nas ruas, mortes nas estradas, uma Copa do Mundo e Olimpíadas arranjadas para dar ibope e créditos ao nosso país dito de ''esquerda'', dito ''socialista'' (?) .... Nosso dinheiro indo para o ralo pela má gestão financeira pública e todos calados dando seu dinheiro suado (e é muito, diga-se de passagem) para a maior rede de TV de nosso país em cada um dos famosos ''paredões'' do BBB.

De fato, acho que dinheiro não é problema para nosso país - é o que concluo! Talvez tenhamos atingido a meta do bordão: ''País rico é país sem pobreza''. Que país nós temos, afinal?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

domingo, 20 de janeiro de 2013

Nunca é tarde


(tirinha de ''Mafalda'', do cartunista argentino Quino)


Por vezes, pensar demais nos faz sofrer. Como é o mundo hoje? Adultos encaram a realidade a partir de seus afazeres corriqueiros. Dessa forma, para eles, viver é trabalhar, cumprir metas, alcançar resultados. Crianças, ao contrário, não têm contas a pagar. Melhor dizendo, não devem nada a ninguém...Não digo no sentido de dinheiro, de dívidas propriamente ditas, digo que as crianças podem viver plenamente. Sujam-se, correm pela rua, gritam, dão risadas das coisas que, para um adulto, são óbvias demais para motivar algum sorriso. Precisamos aprender mais com as crianças. Em cada momento da vida., somos colocados diante de reflexões a respeito do que temos feito de nós mesmos. E, a partir de nós, o que temos feito ao mundo, para o mundo? 

A cada novo dia, mais pessoas acordam, tomam seu café corriqueiro, habitual, lavam seus rostos e saem de suas casas em busca do ouro, do pão de cada dia. Voltam após o trabalho para casa cansados, cheios de dúvidas na cabeça se fizeram todas as suas obrigações do dia ou não. Tomam banho e jantam - não necessariamente nessa ordem - e vão dormir. No dia seguinte, a mesma rotina. Aos finais de semana, optam por ir aos bares e noites de festa para comemorarem bebendo. A bebida é um catalisador social, na medida em que facilita todos a se tornarem mais facilmente sociáveis. Daí, tantos adeptos ao álcool em nossos dias. Nos finais de semana e noites de festa, então, as pessoas esquecem um pouco de sua rotina e conseguem ter um lampejo de felicidade - apesar de ficarem, mesmo que inconscientemente, somando todos os gastos com as bebidas e aperitivos para confirmar se estão ou não dentro do orçamento proposto...Mas é o mais próximo que tem-se visto do conceito de pessoas felizes nos dias de hoje. O álcool! 

Ao mesmo tempo em que uns bebem, outros fumam ou fazem ambos. O cigarro é o mais comum anti-depressivo inserido na sociedade, pois traz a sensação de calma, tranquilidade aos tragos, não precisa de receita médica e, mesmo que sem perceber, a pessoa sabe que está contribuindo para sua morte precoce - o que lhe pode, mesmo que não assuma, ser um alívio ou mesmo uma intenção velada. Seguir a vida nos moldes da sociedade em que nos enquadramos tem sido algo trágico. Mas ninguém quer pensar sobre sociedade. Temos novelas demais, jogos de futebol demais e outras futilidades demais para serem discutidas  e pensadas em seu lugar. As frivolidades cotidianas são uma benção, uma vez que, em discutindo e nos atendo nas conversas à elas, não incentivamos em nós mesmos a ''auto-condenação'' induzida quando refletimos sobre: ''pra que a gente está no mundo?''.

Como crianças que um dia fomos - e ainda mantendo algo delas em nós, deveríamos exercer mais a liberdade e a alegria de seguirmos os dias sem nos preocuparmos com as obrigações apenas. O ser humano luta por conquistar sua liberdade trancafiando-se em seus escritórios, em seus hospitais, em suas oficinas...enfim, em seus locais de trabalho, escravizando suas mentes e sentimentos na apologia diária e constante ao dinheiro. Somos escravos do dinheiro, do status social. Precisamos dele para termos alguma espécie de poder e notoriedade. Isso nos induz a uma auto-confiança necessária, porém falsa, a cada real gasto com alguma coisa nova e, sempre, desnecessária que compramos em nossos dias. Ter! Poder! Comprar! Um ciclo vicioso...Crianças apenas querem viver - apesar de, nos dias de hoje, estejamos criando nossas crianças à base do consumismo, tornando-as infelizes e materialistas desde o berço...mas isso é base para outro texto. Sigamos adiante..!

Precisamos educar a nós mesmos. Seguindo em frente, sem amarras do dinheiro, dos preconceitos, das falsas amizades que criamos como ''necessárias'' em nossa rotina. Seguir adiante é o que precisamos, mas não mais nos forçamos a isso. Não temos dado bons exemplos aos jovens e crianças de hoje, pois, de fato, não sabemos ''pra que estamos no mundo''. Apenas estamos cumprindo obrigações, nada mais. Depende de nós mudarmos nossos destinos e, com isso, o do mundo. Mas, afinal, daqui há pouco começará mais outra novela e nos perderemos novamente discutindo os rumos dos personagens da TV, esquecendo-nos de nós. Talvez isso mude...um dia...um dia...! Precisamos aprender a refletir mais sobre nós mesmos e sobre o mundo em nosso entorno. Quem sabe após desligarmos a TV? Seria um bom começo o dia de hoje. Sim! Nuca é tarde...Nunca é tarde...!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Na caverna de Platão

Acordei para ver o sol, mas era noite. Quanto tempo dormi? Não sei! Na hora em que deitei, nem percebi quantas horas eram... Não gosto de relógios. Gosto apenas de viver as horas, não de sabê-las. Quando ocorre de dormirmos mais que o necessário, parece-nos que o mundo em que acordamos é outro. Pelo menos eu tenho essa sensação! Começo refeito, como se estivesse pronto para uma outra vida, com 100 anos ou mais pela frente. Nada como dormir sem o tic-tac do relógio para sentenciar as horas de sono.

Quando acordo, uma surpresa: um novo começo. Afinal, dormir é como ter morrido por algumas horas, deixando de existir no mundo real naqueles instantes. Por isso dormir é importante. Enquanto dormimos, damos chance de as pessoas sentirem nossa falta na casa, nas suas vidas. Porém, quando acordamos, todos se habituam conosco muito rápido e o estresse volta a imperar nas relações humanas. Somos seres estranhos.

Imaginem se conseguíssemos hibernar tal qual os ursos? Puxa, isso sim seria uma experiência próxima do morrer. Dias, semanas...quem sabe meses dormindo? Daí, acordar de novo e, pronto, a natureza está nos chamando? Coitados dos ursos. Vivem a caçar peixes e ora e outra um humano perdido no meio da mata. Daí, vão dormir muito e muito tempo no aconchego de algum buraco, de alguma caverna. Mal sabem eles que seria melhor hibernar mais tempo, afinal, o mundo aqui fora é muito difícil de se viver. Todos vivemos apressados, tomando partido das coisas, tendo ideias preconcebidas, preconceituosas. Seres humanos nunca mudam. 

Vivemos inundados por inúmeros erros que tentamos ignorar em nós mesmos, mas os conhecemos muito bem. Somos orgulhosos, egoístas, nada fraternos e solidários. Dependemos mais da opinião positiva dos outros sobre nós que de conferir se temos nossa consciência tranquila, serena sendo honestos conosco mesmos - sabendo o que de fato somos. Vivemos, voluntariamente, acordados, mas habitando em uma caverna de Platão. Optamos por isso! Temos apenas ideias preconcebidas do mundo. Não conhecemos o mundo real, as pessoas, tudo. Temos medo! Somos ursos que vivem numa caverna, mas estamos acordados nela por que assim decidimos e, realmente, é menos danosa a vida na inércia da ignorância pueril banhada em medos de aprender e crescer. Os ursos saem de lá quando terminam seu período determinado para passarem ali hibernando. Nós, humanos, por outro lado, insistimos em permanecer aqui - sem entender a realidade do mito da caverna de Platão. 

Creio que boa parte da juventude hoje nem mesmo saiba quem foi Platão, muito menos qualquer coisa sobre o mito da tal caverna. Estão todos ocupados demais dormindo acordados, sem tomar partido adequadamente nas coisas da vida, ou nas decisões de seus próprios dias e muito menos nas decisões de seu país. Somos dorminhocos ambulantes, habitando uma caverna, preguiçosos, esperando que ela desabe por sobre nós? Quem sabe um dia? Penso que tantos e tantos filósofos do passado e do presente apenas queriam que não hibernássemos mais, acordando desse longo e árduo período da existência humana que temos visto. Porém, nada temos feito. Talvez estejamos aguardando o despertar de algum relógio, ou coisa assim. Mas, enquanto isso, apenas continuamos a sonhar com o que de fato são as sombras da parede da caverna em que nos enfiamos. Sombras na caverna - são a realidade e nós mesmos! Estamos mortos na caverna? Estamos dormindo na caverna? Estamos na caverna. Só disso eu sei!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

(das tirinhas de Maurício de Souza)

Ao amigo Caeiro

(obra de Salvador Dali)


Quem dera ver-me cantando aos montes e prados como se não houvesse tristezas no mundo. Um monte é um amontoado de terras como eu, ignorante que sou, vejo-me como um amontoado de tristezas. Triste em meio a uma pitada de alegrias incontestáveis. Todavia, aos poucos entendo: o mundo não é feito para ser sofrido, mas simplesmente vivido! E que vivamos a vida de forma correta como um vento que passa e, ruidoso ou não, passa sem que para isso precise pensar ou sofrer.

A vida é tal como esse vento que flui, qual um sopro de Deus. Entendes? Nós, os seres, simplesmente somos tal qual temos sido e seremos! Nada além disso,  caso contrário não nos apelidariam de “seres”. Não há espaço para metafísica nisso! Somos o que somos e pronto - efêmeros como vento. Isso é a realidade que deve bastar a nós, pois é o que temos de real! 

Incontáveis vezes o desespero se nos apresenta à porta de nossos dias. E, num lampejo de desatino, desesperamo-nos como quem nunca tivesse vivido antes ou sofrido um primeiro sofrimento. Cansamo-nos da vida por sermos seres que demasiadamente perdem tempo em tanto pensar e medir as coisas. Entendi por fim que há metafísica demais em nossas mentes e pouca (bem pouca) na natureza. 

Vivamos o natural, a realidade que se nos mostra incontestável, apenas isso! Deixemo-nos passar como o vento e aprendamos a permitir que as coisas passem também, como coisas que elas também são! Seremos felizes, conforme Caeiro, se assim fizermos. Basta-nos entender!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nota: Caeiro faz referência a Alberto Caeiro, pseudônimo usado por Fernando Pessoa, retratando-se em poesias onde o autor queria apenas o natural nas coisas,  sem pensar demais, apenas o natural.

A doença do mundo


O mundo está doente. Todo ele. Não restam dúvidas! Como isso aconteceu? O período de incubação foi longo, aflorando, tal moléstia, apenas nos dias de hoje, ou ela era mais uma daquelas mazelas insidiosas que já vinha infiltrando o organismo terrestre há tempos, mas não havíamos percebido? O mundo está com febre. Vejam: aquecimento global! É isso. Estão crescendo-lhe verrugas por toda parte. Vejam: construções aqui e ali, concreto e mais concreto. Prédios e mais prédios. Gente e mais gente...Minha nossa! O mundo está doente. E está ficando careca, perdendo os cabelos, alopécia. Vejam: o desmatamento! Nada mais é como antes.

Estão matando o mundo. E suas entranhas? Estão sendo extirpadas, consumidas. Deteriorando a cada dia mais. Uma verdadeira gangrena! Retiram-lhe materiais, necrosam sua pele. Pobre planeta! Vejam: as mineradoras e nossos ouro e minério de ferro, o petróleo...todos indo, tudo indo, indo, indo...

O mundo está perdendo sua água. Está se desidratando. Vejam: a poluição dos lagos, rios, mares...Estamos contaminando o mundo, usurpando sua saúde. Somos para ele uma verdadeira sepse. Invadimos sua saúde, tomamos toda ela para nós - e esse será nosso fim!

O que estamos fazendo? O que fizeram? Nós que éramos verdadeiros comensais, que inicialmente não causávamos males à Terra com nosso parasitismo, hoje, usurpamos dela o que  lhe há de melhor. Não somos mais aquela, digamos assim, flora normal da tez do mundo. Somos vis parasitas que lhe consomem tudo, toda sua saúde. O que resta da Terra para nós?

Sim, há outros planetas em nosso sistema. A Terra também é apenas uma célula do corpo de Deus. Sim, há esperanças. Há? Não, nada de pessimismo. Realismo! Pronto. Esperança. Isso mesmo: há no futuro um retorno do equilíbrio. Vênus, Marte, Plutão...aí vamos nós um dia. Outros planetas, nos aguardem. Eles ainda são felizes e saudáveis. Lá não há, ainda, nenhum de nós, parasitas humanos - será?. Sim, o mundo está doente - ou sou eu quem está? 
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier



sábado, 19 de janeiro de 2013

O preço



Somos muito jovens. Não sabemos nossos caminhos nem por onde caminhar! As verdades se nos apresentam aos poucos, mas aos sustos... Um espanto e, pronto, tudo mudou! É a realidade de ser jovem e, assim, estar a aprender tudo sobre tudo. É o preço que pagamos.

Ser jovem no mundo hoje é desfrutar de uma sociedade hipócrita, em que nos ensinam a ser algo que nem mesmo nossos professores o são. Os mais velhos mantém-se no comodismo burocrático, banhados nas promessas capitalistas de sempre. Os de meia idade seguem aos calcanhares dos mais velhos. Os mais jovens? Bem, permanecem observando e esperando chegar a vez deles de serem os mais velhos e, com isso, poderosos.

Num instante e tudo passa. Uma década é questão de pouco tempo. Depende da referência! Somos muito jovens para saber disso, mas até os mais velhos são como nós. Como aprender algo da vida então? Deixamos todos passarem por cima de nós. Deixamo-nos caídos, rebaixados em reverência aos mais poderosos, aos mais velhos, a qualquer outro que se nos imponha com a empáfia costumeira dos dias de hoje. É o preço que estipulamos?

Somos jovens demais. Somos tolos demais. Sofremos muito já, mas não aprendemos nada. Passaram-se muitos anos e cá estamos nós, ainda, praticando os mesmos velhos erros. As mesmas coisas de décadas e também de centenas de anos. Ops, pensaram que eu falava de algo metafísico sobre o ser humano? Não! Falo de nosso país, nosso Brasil. Pouco mais de 500 anos tentando aprender. Porém, existem muitos países mais novos que nós que tratam muito melhor seus cidadãos, seu povo. Qual é o nosso problemas? Não é então o fato de sermos jovens demais, mas sim imaturos demais como nação, como povo! Crianças que se desenvolvem mal podem ser assim por algo de má nutrição, ou por genética ruim, algo assim. Somos apenas um país com problemas. A quem iremos culpar? Não se! Uma questão que não quer calar fica disso tudo: qual será o preço que pagaremos até lá, o dia em que, enfim, seremos grandes, maduros e independentes?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Páginas além de mim...




Abri os jornais tentando alegrar meu dia. Foi em vão. Nada além de lágrimas causei em mim. Página após página, lá ficava eu: calado, perplexo, sem sentido. De onde surgem tantas novidades ruins? Onde estão os corações? As pessoas não mais amam, não mais compreendem do amor? Não se tem nada além de violência, poder, dinheiro nas coisas e notícias do mundo?. Concluo: o dinheiro está por toda parte. No poder, na violência. Na falta de amor!

De onde retiram a realidade dos jornais? Do mundo além dos muros de minha casa? Eu acreditava, fielmente, que tudo seria diferente do que tenho visto ser. Ontem, sim, ontem mesmo, lá estava eu esperançoso ainda. O que se deu em mim? Saia de mim, jornal maldito. Quero rasgá-lo. Nem mesmo molhado por minhas lágrimas ele desiste de ferir-me o peito com suas atrocidades... Saia, jornal, saia de mim. Saia daqui, ou saio eu.

De fato ele não saiu; permaneceu. Eu tive de sair dali então. Não conseguia mais encarar as páginas daquele arsenal de desgraças humanas. Na rua, já fora dos muros de minha casa, morri, de tão estupefato que fiquei. Era eu apenas  mais um na vida além dos muros! Não havia identidades. Ninguém notava-me ali. Eu era apenas mais um em meio a uma paisagem que ninguém notava. Nada fazia sentido além de caminhar a esmo em meio a tudo e todos. Éramos ali como um presépio animado, ou algo assim. Bonecos passando uns pelos  outros, sem vida. Bonecos sem vida! O que se nos ocorreu, sociedade? Estamos retratados nas páginas dos jornais? Tudo [e divulgado em meio e ao redor das letras garrafais trazendo inúmeros anúncios de: ''vende-se''. Não quero mais pertencer a isso. Não quero corromper meu mundo, vivendo essa insanidade completa baseada em desgraças e dinheiro. O mundo não pode ser isso! Relutante, abandono o mundo fora dos muros de minha casa. Abro a porte e retorno ao meu lar!

Volto para casa. Queimo o jornal, mas o mundo lá fora ainda existe. E eu? Talvez suceda-me outro dia amanhã. Não esperem-me para nada. Ficarei em casa, dentro dos muros, tentando entender. Lá fora é muito perigoso e tudo está além de mim. Quero apenas seguir. A cada dia, uma página virada! Páginas. Páginas viradas. É a vida! Somos nós, letra a letra, escrevendo páginas. Quem porá em mim meu ponto final? Não  quero mais páginas numa vida assim como a retratada nos jornais! Não quero mais jornais!  Não me falem de notícias! Não quero mais a vida que eu leio, sinto, ou vivo no mundo lá fora. Quero simplesmente que tudo mude logo. Mas isso fica para páginas além de hoje, páginas além de mim...


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Devaneios sobre a sociedade


Dizem muitas coisas sobre ''machismo''. Dizem que a sociedade é machista. Tento entender os argumentos. Hoje em dia, será mesmo que a sociedade é machista ainda? Apenas nós, homens, somos ''machistas''? Será mesmo que somos nós, homens, os doutrinadores desse processo que, segundo alguns, crucifica a sociedade? Creio que não! Mas, é apenas opinião minha.

O que seria esse machismo? Bom, seria algo que favoreceria a mentalidade da personalidade masculina heterossexual, correto? Talvez, mas não é isso ao meu ver. Nós, homens heterossexuais, não somos nem nunca fomos algozes da sociedade ao meu ver. A sociedade gosta de criar vilões, mas nunca o fomos simplesmente pelo fato de sermos homens. Violência, vem do machismo? Não, vem dos desvios de comportamento do ser humano em si, animalizado e primitivo ainda. Há atitudes violentas de todas as partes da sociedade. Guerras são devidas ao machismo? Não! São devidas ao interesse humano de mandar, comandar e ter domínios, acreditando-se mais forte, assim, quanto mais poder ele tiver. Apenas mais um exemplo da imaturidade e primitivismo humanos ainda atuais. Bom, então, o que mais seria exemplo do tal ''machismo''? Vamos pensar...

As mulheres sentem-se acuadas, ou algo assim. Concordo, mulheres já sofreram muito conosco. Há muitos e por muitos anos, as mulheres eram apenas uma coisa que ficava em casa à espera do esposo, cozinhando, limpando, lavando, cuidando dos filhos... Sim, foram isso, mas não são mais há tempos. Existem infindos exemplos de homens que ficam em casa cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos enquanto suas esposas estão nos seus respectivos trabalhos. Existem também os homens que exercem a democracia no lar, de tal forma que esposa e esposo mandam, igualmente, nos interesses e conquistas do lar. Nós, homens, temos presenciado há muito tempo o crescimento da influência feminina no mundo; isso tem tornado nossa realidade cada vez mais perto do ideal, com os sublimes toques femininos no nosso dia-a-dia de tantas e tantas mulheres tão imensamente admiráveis e lindas - por dentro e por fora. Porém, existem muitos estereótipos sociais, para bem e para mal, tanto de homens quanto de mulheres.

Quantos são os perfis de homens? São vários. Existem homens que ainda acham, de fato, que lugar de mulher é em casa, calada, quieta, pronta para cozinhar, limpar e fazer sexo com eles, em um regime de total submissão. Esses não são homens. São simplesmente imbecis trajados de dominadores para enaltecer o próprio ego submisso e traumatizado, provavelmente, por enigmas em sua psiquê. Existem, porém, homens que sabem amar a presença sublime de uma linda mulher em suas vidas e querem ter ao seu lado mulheres que caminhem, de fato, lado-a-lado com eles, em regime democrático no lar, dando bons exemplos aos filhos, futuros cidadãos do amanhã, amando, respeitando e até mesmo venerando suas esposas, suas belas e exemplares mulheres. Amam, respeitam e continuam sendo machos, pois é um termo referente mais à biologia que à sociologia. Esses não são exemplos de homens dessa sociedade tida como ''machista''. Existem também os homens que abdicaram da beleza de ter a presença de uma mulher em suas vidas e decidiram optar por não tê-las. Estão, aos seus modos, procurando suas respectivas formas de serem felizes. Enfim, são vários os tipos de homens no mundo de hoje. 

E quanto às mulheres? Também são vários os estereótipos sociais quanto a elas. Existem aquelas que dedicam ao lar, aos empregos, aos filhos e demais afazeres, lutando lado-a-lado com seus homens, seus esposos, por uma família melhor, mais feliz, dando bons exemplos de mãe, mulher e cidadã à sociedade. São mulheres admiráveis, aquele tipo de ''fêmea'' que todo ''macho'' quer ter ao lado, sim, ao lado! Nem atrás, nem na frente, mas sim caminhando juntos, crescendo juntos, aprendendo dia após dia um com a outra na caminhada da eternidade, a real história humana. Existem, entretanto, mulheres que também optaram por não ter homens consigo na caminhada e tentam, aos seus modos, encontrar o caminho da felicidade e conquistar espaço no coração de alguém. Existem ainda, porém, aquelas mulheres que são mais machistas que os homens. Como assim? Faremos um parágrafo apenas falando delas.

Existem mulheres que dizem-se independentes, ativas, dominadoras, porém, ao mesmo tempo em que mostram-se como parte da revolução feminista que surgiu no século passado, dão péssimos exemplos enquanto ''fêmeas'', enquanto mulheres. Muitas dessas mulheres procuram homens verdadeiramente ''babacas'', ''canalhas'', que as subjugue, na vida e na cama; aceitam-se sendo chamadas de ''cachorras'', ''piriguetes'', ''popozudas'' e inúmeros outros termos que simplesmente as denigre ao prazer de canções e hábitos imbecis... Aceitam-se como sendo produtos para deleite dos ''machos''! Unem-se a homens pensando no dinheiro em que terão para desfrutar, ou não se unem a nenhum em específico, pois a cada dia são vistas com um ou outro, num regime de total desrespeito à sua própria figura, numa depravação socialmente tolerada. Perdem, rememorando Vinícius de Morais, a ''beleza de se saber mulher''. Entregam aos homens o domínio de suas vidas, mesmo que não saibam ou percebam, pois vivem para agradá-los, embora defendam-se como sendo mulheres independentes... Balela! Usam roupas cada vez mais curtas, expõem-se cada vez mais como verdadeiros produtos de vitrine, banalizando-se enquanto mulheres, enquanto ''fêmeas'', subjugando-se aos interesses da sociedade dita ''machista'' em que elas mesmas fazem perpetuar esse ''machismo''. Têm sido complicado assistir crianças, adolescentes, todos crescendo e vendo inúmeros exemplos de homens ''babacas'' acompanhados ou sendo seguidos por mulheres ''piriguetes'' ou algo assim que as defina. Que sociedade é essa e qual teremos no amanhã? Coitados de nossos filhos.

Não existe machismo, nem feminismo. Existe (ou pelo menos espero que exista) simplesmente o humanismo. Somos todos humanos em busca da felicidade, do bem, do amor, da harmonia social. Tudo nos é lícito, claro, desde que ''não façamos aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem'', como diria Jesus (mas ainda não aprendemos), e também desde que nunca prejudiquemos ninguém, inclusive servindo como exemplo negativo aos demais. Sejamos bons homens, boas mulheres, bons seres humanos, bons ''machos'' e boas ''fêmeas'' da raça humana. Isso é o que precisamos.

Tomara que entendam minha opinião. Tomara que concordem. Tomara que eu não esteja errado, mas espero que, em breve, eu possa testemunhar um mundo melhor, de fato igualitário, fraterno, em que o amor, e não o simples prazer efêmero, seja o norteamento dos relacionamentos. Que as responsabilidades de homens e mulheres os norteie enquanto cidadãos que são, enquanto pais, mães, filhos e filhas. Que o humanismo perfaça-nos no cotidiano para que, num dia que nos chegue em breve, possamos ''amar a todos como a nós mesmos'' e, claro, ''a Deus sobre todas as coisas''. 

Amor, respeito, confiança, companhia, amizade, felicidade... ! Tudo isso faz e nutre as mentes daqueles que, como eu, aguardam encontrar a mulher que caminhe do seu lado, sendo respeitada, e que respeite a si mesma, fazendo-se exemplo como mulher, como mãe, como cidadã, tendo a mim como homem, esposo, pai, dando minha parcela de contribuição e exemplo à sociedade e à minha própria e amada família que chegará num dia do amanhã.


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

À deriva


O futuro é um papel em branco onde tudo pode se escrever, se inscrever ou se transcrever! Basta-nos ter a caneta da vida em punho e tempo para que as próximas páginas sejam escritas, manifestando-se nas páginas em branco adiante. Simples! Porém, temos mãos frágeis demais para carregar o peso da caneta da vida.  Temos pouca criatividade para escrever por nós mesmos nossa própria história. Estamos ocupados demais em tremer de medo perante a realidade mostrada nos telejornais. Estamos ansiosos demais, perdidos em nosso tempo por detrás das telas da TV. Estamos sufocados demais embaixo de um monte de exageros, vícios e pouca atenção aos rumos de nossa vida! À deriva, é o que sinto. Restam-nos ruínas de nós mesmos!

A derrocada da sociedade iniciou-se quando passamos a crer que possuir coisas é mais importante que qualquer outro fato, mais importante que amar verdadeiramente, mais importante que solidariedade, ou que a fé, ou que sonhar inclusive. Não se fazem mais mães dedicadas aos seus filhos hoje. Não se fazem mais pais dedicados às suas famílias. Não se fazem mais pessoas dedicadas às causas sociais. Somos um exército inerte esperando a derrota de nosso exército humano espalhado em um campo de guerra. Somos um bando de pessoas perdidas num mar de desespero traçado por nós mesmos.

O que fazer nos dias de hoje para que, num futuro próximo, os filhos dessa geração sejam felizes? Estamos apenas deixando rituais malucos, na forma de rotinas, de assistir TV, TV, TV todos os dias. Não temos mais tempo para pensar com nossas cabeças, nem mesmo para ficarmos reunidos em família e saber dos problemas que uns e outros de nossos amados tem passado nos seus dias de luta. Não conversamos mais em grupos, apenas bebemos e nos drogamos nas noites de desespero e solidão retratadas como parte das liberdades advindas das baladas do mundo moderno. Um retrato social triste! Nossos filhos estão obesos, preguiçosos, sedentários, doentes. Sem exemplos de pais, de amigos, de ídolos. Nossos heróis morreram! Somos vilões em meio a mais vilões que são tidos por nós como os exemplos à nossa sociedade. Somos um povo doente, sem diagnóstico firmado! Somos pacientes relapsos!

Roubam-nos! Matam pessoas! Destroem famílias por todos os cantos de nosso país. O que temos feito? Apenas esperamos o término do noticiário e então aguardamos as novelas que virão após. Nada nos comove mais que os amores entre os mocinhos e mocinhas das novelas! O sofrimento real que vemos nos jornais parece-nos ser o mundo de ficção. Invertemos as coisas. Nada nos faz mover-nos do comodismo absurdo em que estamos afogados. Somos um povo inerte. Somos maus exemplos às novas gerações!

Do futuro, o que esperar? Nada! Apenas resta-nos torcer para que ele, de fato, chegue. Além disso, resta-nos torcer para que os filhos de nossa geração sejam melhores que nós e que não nos sigam como exemplo. Dessa forma, otimismo é pouco para nossas necessidades. Esperanças? O que dizer? Cabe-nos apenas esperar, pois esse é o legado de nossa geração: esperar por melhorias, sempre de braços cruzados. É o advento do mundo tecnológico com pessoas ligadas às tomadas de suas TVs. Sem TV, ninguém vive mais; com o poder delas, ninguém pensa mais pela própria cabeça. Estamos morrendo cognitivamente! Somos um mar de gente inerte. Que os filhos de nossas geração sejam melhor que nós. É o que nos resta esperar? Creio que sim!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Sim, sou um homem ranzinza apenas

De onde viemos? Perguntaram-me. Descobri que não sei. Não entendo mais sobre nós, humanos. Por isso, não atenho-me mais em respostas, apenas em criar e averiguar perguntas. Iniciando um papo comigo mesmo, numa real discussão, ensimesmado, divaguei sobre política. Sim, política!

O que seria ela? Penso que políticos são gestores, administradores da sociedade, poderíamos dizer. Trabalham pelo bem público, mas vejo em meu país que ser político é desfrutar de regalias, é ausentar-se de responsabilidades perante a lei; é poder criar pouco, ganhar muito, roubar alguma coisa sempre e nunca ser punido. Desisti de pensar em política, pois entendi que não são mais gestores do povo, ou para o povo, mas apenas são, na verdade, gestores de interesses escusos pessoais ou, mais ainda, interesses privados de grandes empresas, grandes empresários, grandes interesses, a bem dizer. Não quero mais pensar em o que seria política. Políticos são apenas figuras de propaganda da mídia que, com seu poder, nos convence de que há ''mocinhos'' e ''vilões'' da vez. Aplaudimos com o voto desdenhoso apenas um cenário de novela. Nada mais. 

Iniciei então um devaneio sobre amor; sim, amor! É bonito pensar nele! O que seria o amor? Penso que amar é entregar-se pensando sempre na felicidade do outro antes de qualquer coisa - até mesmo da própria felicidade nossa. Quem ama é feliz vendo a pessoa amada feliz. Seria isso, para mim, pelo menos! Mas, o que temos no mundo hoje? Não temos mais amor, seja de casais, seja de mãe-filho, seja de pai-filho, seja de filho-pais etc. As mulheres não mais amam seus filhos, apenas atém-se a dar à luz rebentos que, mais cedo ou menos cedo, entrarão em ''creches'', ''escolinhas'' etc sendo cuidados não mais pelo amor das mães, mas pelo interesse de pessoas estranhas que têm naquilo seu ofício. As mães de hoje querem trabalhar! Os pais? Trabalham também, como sempre foi! E os filhos? Têm apenas que aprender que seus pais e mães lhes amam e exercerão isso (ou não) apenas quando estão fora da responsabilidade dos seus empregos. Seria um amor limitado a ''fora do expediente''? Algo assim! 

Não quero mais pensar em amor. Como é jargão hoje: homens querem apenas ''pegar'' mulheres; as mulheres querem apenas serem ''pegas'' pelos homens ou também ''pegá-los''. Como um ritual de primitivo de caça, talvez. Uma dança do acasalamento aos moldes modernos, decerto. Diz-se dos homens que eles querem ''comer'' as mulheres; diz-se que as mulheres querem ''dar'' aos homens. Ah, triste realidade de termos obscenos que passam tendo como álibi a nossa capacidade de sermos jocosos. Não mais se tem a beleza (e até mesmo honradez!) no que diz respeito ao desenlace da relação sexual entre pessoas que se amam (ou que pelo menos dizem se amar!). Sendo bem direto e até mesmo soando chulo: será que amor toma parte no ato do coito hoje em dia? Ninguém mais usa a habitual expressão: ''fazer sexo''! Sexo, ao meu ver, está junto de amor, numa espécie de complemento dele! Um desfrute libidinoso dos que se amam. É a expressão carnal da demonstração do amor abrangendo todas as sensações que ele pode trazer! Porém, tudo foi colocado num molde animalesco e primitivo na atualidade, onde o prazer é o único objetivo, nunca a doação de sentimentos, ou a troca de carícias, ou a arte da conquista do coração da pessoa amada. Nada disso mais vale? Os homens românticos não mais são vistos como exemplos às mulheres, nem mesmo atraem-lhes atenção nas ''baladas'' da vida. Os homens ''bonzinhos'' então, coitados... Estão eles fadados a relacionamentos fracassados e desencantos? Não, apenas não despertam interesse, pois não transfiguram-se apenas em animais adeptos aos moldes contemporâneos de ''amor''.

Os seres românticos são apenas alguns punhados de tolos espalhados por aí, tentando o amor da pessoa ideal que tanto sonharam e sonham - puros devaneios, infelizmente! Padrões de beleza aos olhos femininos hoje, quais são? Homens ditos ''sarados''! Porém, nas rodas de discussão públicas, fato que todas dirão: ''os homens não são mais românticos'' - todavia, tantas mulheres são aquelas que dançam ao som de canções onde são chamadas de ''cachorras'', ''popozudas'', ''poderosas'' etc. Aos risos, aos berros, temos nisso a realidade!

A quem estamos enganando? O que resta ao romantismo num mundo desses? Não vale a pena também pensar em amor, concluo. Temos de pensar em coisas que existem. Pensei então em desistir, mas resolvi dar vazão a alguns últimos pensamentos a respeito de, por exemplo: a paz. Paz? O que dizer da paz? Vivemos anos e mais anos em guerras onde aqueles que mais matam são tidos como heróis e vendem-se eles como os ameaçados em sua liberdade. Será? Guerras são criadas para dominação de um governante sobre o ''terreno'' do outro governante. Logo: é de um governante contra outro governante! Mas quem são os que morrem? São civis inocentes e os ''guerreiros'', os soldados imbecilizados pela máquina de guerra, muitas vezes jovens disciplinados e que foram educados a matar e morrer por isso. A defesa de um país depende de um grande poder de ataque! É isso mesmo? Dizem que eles morrem cidadãos pela ''pátria'' - e ainda dizem que nossa pátria é nossa ''mãe''! Mães não esperam a morte de seus filhos. O que pensar ainda da paz, quando esportes onde ''acabar'' com o adversário destruindo-o, deixando-o no chão humilhado, sangrando, é o objetivo final, vencendo-se lutas sob aplausos? O que pensar sobre paz? Ahh... Cansei de pensar sobre qualquer coisa!

Não, insisto mais um pouco! Pensei em: que tal pensar em justiça? Sim, todos gostam dessa palavra! O que é justiça? Todos gritavam ''Ladrão!'', ''Ladrão!'' ao fundo enquanto eu pensava. Era o que se lia nos jornais. Refleti sobre aquilo que via. Quem sabe estivessem discutindo sobre justiça aos berros, impondo seus ideais sob o álibi de estar defendendo a ética, a moral, o que é certo? Quem sabe de fato estivessem ensaiando para ser um povo que luta, que abandona o conforto do lar para exigir honestidade na política e no trato com o dinheiro público? Porém, deveriam também ensaiar a ser um povo honesto, claro... Será? Quem sabe fosse então tudo nos jornais uma discussão ampla sobre as atrocidades da política que têm-nos dilacerado há anos no Brasil? Quem sabe fosse discussão acalorada sobre as imbecilidades do mundo atual, das violências infindas, das injustiças e mortes através de tantas balas ''perdidas'' que encontram cabeças, corações e outras partes de corpos inocentes que vão ao chão em mais estatísticas de mortes nacionais num país violento, sem aparentemente importância alguma? Quem sabe vozes por aí estivessem gritando ''ladrão'' correndo em defesa de algum inocente atrás de algum bandido nas ruas, livre e solto como todos os outros bandidos, bandido aquele que, armado, teria retirado as posses de algum transeunte qualquer em uma rua avulsa? A imbecilidade da justiça pelas próprias mãos...

Ahh,.. Seriam todos os gritos nas ruas ou nos jornais baseados em um ato de heroísmo que eu estava presenciando no meu país, querendo escrever melhor sua história, afinal? Não! Simplesmente continuam todos apenas gritando enquanto assistiam a um habitual jogo de futebol na TV. O ''Ladrão!'' ofendido era apenas um homem no meio do campo que observava ao longe, em posse de um apito, alguns outros homens correndo atrás de uma bola. É o máximo que nos atentamos e nos incomodamos quanto a mandos e desmandos.

O que mais havia para pensar? Iniciei então um derradeiro devaneio sobre qual a importância de se pensar refletindo sobre a realidade. Pensei, repensei....Pensei mais outra vez! Enquanto pensava, liguei a TV e a internet como todos no mundo hoje fazem. Fui inteirar-me do mundo, ver e ouvir notícias relevantes, quem sabe? Onde encontrá-las? Vi publicadas e anunciadas inúmeras reportagens sobre ''bundas'' das pessoas famosas, sobre divórcios de ''celebridades'', sobre casas em que pessoas ficam ''presas'' concorrendo a milhões em dinheiro após inúmeros dias de inutilidades e maus exemplos... Tudo imensamente repercutido, discutido, avaliado pelo povo que tanto aplaude. O que pensar sobre ''pensar''? 

As pessoas não querem mais pensar. É isso! Notícias são simplesmente sensacionalistas, impregnadas por interesses idiotas, escusos, voltados ao capital e jogos de poder, objetivando apenas vender...vender...vender. Vender notícias, vender padrões de comportamento, vender padrões de pensamentos... Ou melhor, o que eles vendem são mesmo padrões de pensamento? É do interesse de muitos que todos sejam alienados quanto ao real mundo que vivemos, é fato! Já disseram: existe o mundo real e o oficial. Triste não estarmos atentos! Mas não querem que saibamos isso - e nem mesmo nos esforçamos por sabê-lo! 

Quem de fato pensa impõe-se a pensamentos e ideais alheios de forma impensada? Ou ''vende-se''? Aceita se lhe imporem padrões ou subjuga-se às atrocidades da mídia em silêncio? Ou ainda, aceita as barbaridades e futilidades nas redes de TV, jornais, internet, calado? Creio que não. Logo, resolvi: cansei definitivamente de pensar! Percebo que meus pensamentos são errados, eu sou todo errado, um tolo! Não sei mais pensar, ou talvez nunca tenha sabido sem no mundo ter aprendido isso de fato. Quem sabe vendo mais TV, assistindo mais programas inúteis (para mim!) eu aprenda mais e mais? Descobri que sou aquele homem estranho sentado à beira do balcão do bar, sendo olhado com olhos de desdém e espanto pelos alegres companheiros embriagados do entorno, todos eles rodeados de mulheres que lhes acham interessantes, viris, bem resolvidos naqueles molde e jeito que são - muitos deles, inclusive, sem nem se importar com elas. 

Sim, sou um homem ranzinza apenas! Um a mais no mundo. Inundado por devaneios meus num vazio completo que não se preenche quanto ao que é do interesse dos demais seres. Por isso, atenho-me a escrever palavras mortas. De nada servem! São apenas como uma necessidade fisiológica. As letras não pensam, não julgam, apenas obedecem, educadas como são, sendo transcritas em textos. Pelo menos nelas eu consigo mandar e as posso mudar, tendo alguma espécie de poder e razão nisso, afinal, nem mais sei se eu necessito existir num mundo em que não me encaixo.

Sendo assim, prefiro apenas escrever, pois pensar sobre mim e meu lugar nesse mundo deixa-me triste, deprimido. Melhor não pensar em nada, concluo! Queria poder ter dado um abraço em Nietszche. O entendo de certa forma hoje. Quero ser um daqueles felizes e embriagados no bar. Talvez assim eu encontre-me na sociedade atual, quem sabe? Basta-me não pensar. Mas, como último pensamento, relembro o mestre Ariano Suassuna quando disse que: ''o otimista é um tolo; o pessimista um chato. Melhor mesmo é ser um realista esperançoso''. Falta-me apenas a esperança, então! Obrigado, mestre Suassuna. Valho-me de ti para reavê-la!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier