
Abri os jornais tentando alegrar meu dia. Foi em vão. Nada além de lágrimas causei em mim. Página após página, lá ficava eu: calado, perplexo, sem sentido. De onde surgem tantas novidades ruins? Onde estão os corações? As pessoas não mais amam, não mais compreendem do amor? Não se tem nada além de violência, poder, dinheiro nas coisas e notícias do mundo?. Concluo: o dinheiro está por toda parte. No poder, na violência. Na falta de amor!
De onde retiram a realidade dos jornais? Do mundo além dos muros de minha casa? Eu acreditava, fielmente, que tudo seria diferente do que tenho visto ser. Ontem, sim, ontem mesmo, lá estava eu esperançoso ainda. O que se deu em mim? Saia de mim, jornal maldito. Quero rasgá-lo. Nem mesmo molhado por minhas lágrimas ele desiste de ferir-me o peito com suas atrocidades... Saia, jornal, saia de mim. Saia daqui, ou saio eu.
De onde retiram a realidade dos jornais? Do mundo além dos muros de minha casa? Eu acreditava, fielmente, que tudo seria diferente do que tenho visto ser. Ontem, sim, ontem mesmo, lá estava eu esperançoso ainda. O que se deu em mim? Saia de mim, jornal maldito. Quero rasgá-lo. Nem mesmo molhado por minhas lágrimas ele desiste de ferir-me o peito com suas atrocidades... Saia, jornal, saia de mim. Saia daqui, ou saio eu.
De fato ele não saiu; permaneceu. Eu tive de sair dali então. Não conseguia mais encarar as páginas daquele arsenal de desgraças humanas. Na rua, já fora dos muros de minha casa, morri, de tão estupefato que fiquei. Era eu apenas mais um na vida além dos muros! Não havia identidades. Ninguém notava-me ali. Eu era apenas mais um em meio a uma paisagem que ninguém notava. Nada fazia sentido além de caminhar a esmo em meio a tudo e todos. Éramos ali como um presépio animado, ou algo assim. Bonecos passando uns pelos outros, sem vida. Bonecos sem vida! O que se nos ocorreu, sociedade? Estamos retratados nas páginas dos jornais? Tudo [e divulgado em meio e ao redor das letras garrafais trazendo inúmeros anúncios de: ''vende-se''. Não quero mais pertencer a isso. Não quero corromper meu mundo, vivendo essa insanidade completa baseada em desgraças e dinheiro. O mundo não pode ser isso! Relutante, abandono o mundo fora dos muros de minha casa. Abro a porte e retorno ao meu lar!
Volto para casa. Queimo o jornal, mas o mundo lá fora ainda existe. E eu? Talvez suceda-me outro dia amanhã. Não esperem-me para nada. Ficarei em casa, dentro dos muros, tentando entender. Lá fora é muito perigoso e tudo está além de mim. Quero apenas seguir. A cada dia, uma página virada! Páginas. Páginas viradas. É a vida! Somos nós, letra a letra, escrevendo páginas. Quem porá em mim meu ponto final? Não quero mais páginas numa vida assim como a retratada nos jornais! Não quero mais jornais! Não me falem de notícias! Não quero mais a vida que eu leio, sinto, ou vivo no mundo lá fora. Quero simplesmente que tudo mude logo. Mas isso fica para páginas além de hoje, páginas além de mim...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Belo texto.
ResponderExcluirRetrata o medo e a opressão que vigora em nosso mundo globalizado, onde só o pavor vende e também aprisiona. Eu decidi simplesmente me furtar aos fatos - estes fatos - e viver em meu mundo paralelo, onde existe sim a morte, o medo, o mal enfim mas é infinitamente pequeno frente à bondade que reina em pequenas ilhas como nossa Samaritanas; não mais absorvo este veneno através das telas que tudo vêem. Quero vida, quero amor, quero paz e sei que posso limitar a dura realidade que chega aos meus olhos.
Grande abraço!
Arquimedes.
Obrigado pelo comentário, amigo Arquimedes. Você definiu muito bem um sentimento que é meu também. Optei por afastar de TV e jornais. Em breve, assim que terminar minha residência, espero ter mais tempo para dedicar e ajudar mais a Samaritanas que é, para mim, uma extensão do meu lar. Muito bom e espero contribuir em breve. A frase ''Eu decidi simplesmente me furtar aos fatos - estes fatos - e viver em meu mundo paralelo, onde existe sim a morte, o medo, o mal enfim mas é infinitamente pequeno frente à bondade que reina em pequenas ilhas como nossa Samaritanas; não mais absorvo este veneno'' definiu tudo muito bem. Obrigado!
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