quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Desdita

''Cumprida a comprida vida'' - esse foi o lema da morte daquele homem! Transeunte qualquer que, dele, mal sabiam os rastros - ou seja: de onde veio, para onde iria. Era ele um homem só e, por esse disparate, era tido como excêntrico. O caminho mais fácil para definir algo que não entendemos é culpar ou então definir como excentricidade do ser e da coisa em si. Que mal havia naquele que não conseguia na socialmente aceita ânsia pelo par encontrar o todo, não tendo encontrado na mulher que sonhou a metade que lhe faltava? Faltou sempre a metade de si mesmo, aquela que lhe pertencia para ser completo - ele viu um tanto quanto desditoso tal fato, já tão em atraso.

Completou seus muitos anos de vida. Para ele mal importavam se eram vinte, ou trinta, ou oitenta anos. Sem sentido, qualquer par de anos torna-se eternidade, torna-se uma vida comprida de se viver. Sim! Assim era pra ele. Viveu dia após dia na procura daquilo que sentia falta. Tentou em meio à multidão palpar no chão de estrelas caídas ver saltar aos olhos o bem que lhe pertencia, lhe faltava. Não encontrou! A falta que havia era de dentro para fora, não de algo de fora para dentro. Explico logo, amigo, relembrando Fernando Pessoa: ''para viver a dois, antes é necessário ser um''. Entende? Faltou-lhe a metade de si a completar-se com a mulher que amou, amaria, sabe-se lá! Sabe? Digo: é difícil sabê-lo, entendê-lo. Até mesmo vê-lo era difícil, tanto que, isso era sabido, pouco ele frequentava de regiões em frente a espelhos. Mal sabia ele sobre sua face já algo consumida pelos anos, independente de quantos. Muito se envelhece, mesmo que em poucos anos, quando o tempo mede-se em desgosto que, gota a gota, seca o passar dos dias da vida que há de se viver. Sabe? Espero que sim.

Tinham dó dele, claro. É notório nosso saber sobre o amor que há nas calçadas, nas ruas, nas noites e dias afora da realidade -  a bem dizer, a felicidade que literalmente salta aos olhos. Os olhos alheios olham-nos mais, e bem mais nos incomodam, que nosso próprio olhar. Obscurecendo a realidade de dentro das paredes dos lares, a cada dia mais consumidas em caos velado por falta de amor, esfacelados, vê-se que há sorrisos demais nas fotos, nas praças públicas, no convívio social. Mas o que pensamos ou sabemos disso? Desconsideramos sim as lágrimas que adentram as casas, e poucos sabem, ninguém além da própria pessoa solitária que chora, quem as seca. Muitos casais solitários, isso é bem verdade, há por aí em clamores de amor eterno! Para tantos, decerto, falta a metade pessoal que junta-se à outra pessoa esperada. Mais esperamos encontrar em alguém a completude do ser que completar em nós mesmos as sequelas de ausências que carregamos. A saber, há tantos casais de amor eterno que não duram semanas, meses, par de anos... Amores eternos duram até as primeiras tempestades, entendo. Há entretanto os que entendem essa verdade e consomem-se desde já ou os que enganam-se apesar disso. Pessimismo meu? Sim! Há os tantos casais felizes e seus dias de injúrias, claro - mas estão a cada vez mais escassos, raros, desconhecidos, quiçá.

Em meio ao mundo atual, das redes sociais e dos infindos belos sorrisos despretensiosos quanto a expor a realidade da(s) alma(s) fotografada(as), há uma cruel realidade que consome tal qual uma atrocidade humana qualquer as esperanças de tantos: se há mesmo esse excesso de sucesso na arte do amor pelo mundo, qual o motivo de tudo quanto vemos em uma crua realidade em tantos exemplos da falta de amor? E essa carência afetiva exposta nas manias infindas de postar fotos infinitas dizendo: ''vejam, eu existo e estou feliz!''? Tantas pessoas solitárias que, mesmo casadas, noivas, em relacionamentos quaisquer, transfiguram-se em "felicidades" direcionadas aos olhos alheios, mas não conseguem, de cabeça no travesseiro, agradecer a deus ou a quem queiram pelo par encontrado que dorme logo ao lado. Querem apenas dividir com todos nas redes sociais que não estão sozinhos(as). Vejo isso. Devo estar errado. Mas, sim, há muito amor aos olhos alheios, mais até que amor ao próximo, ao par, à pessoa do lado. Será isso? Estou errado! Deus, não me ouça. Ouça os que dizem sobre otimismo e crenças de amor eterno. Acredite nas redes sociais, Senhor, caso tenha criado Seu perfil. Desconsidere o mundo real... É mais fácil agir assim. A solidão para dentro dos lares e círculos sociais verdadeiros já basta.

Enquanto vivermos, cumpramos também as nossas compridas vidas, cumpridas a sós ou acompanhados, mas felizes - quer seja felicidade real ou aparente apenas aos olhos alheios, atentos! Solidão não gera ''likes'' nem compartilhamentos nas redes sociais. Melhor mesmo é sorrir apesar de tudo! Tenho, a pensar nisso, pena daquele homem que morreu sem encontrar nem em si mesmo a parte que faltava. Teria talvez, com sorte, caso atentasse para tamanhas as frivolidades do mundo em tempo, achado a mulher sonhada, sua metade que faltava - durasse ou não aquele amor! Não a encontrando de fato, poderia pelo menos encontrar nas redes sociais seu oásis de felicidade e expôr uma imagem sua diferente da que habitualmente expunha sem pensar nas consequências aos olhos dos demais- olhos esses que o tingiam com tons desdenhosos de solidão perceptível. Talvez ele nem se importasse, é fato... Pobre homem, deve estar agora a arrepender-se deveras! Tomara que não, pobre coitado... Mas, paro e penso: ah, Deus, cá estou eu como ele, enfarado e solitário, já velho e desditoso...

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

O lado negro da forca

Fiquei habituado a pensar. Sou chato! Insisto comigo mesmo nesse ideal, embora tanto nos ensinem a não pensar muito hoje. Digo isso sobre as redes de mídia no geral, também sobre os governos (mantidos em maior ou menos relevância pela ação da mídia). Digo isso pelos cenários que vejo ao olhar para qualquer lado hoje. Somos educados a não pensar demais. De preferência, nem mesmo pensar, é lícito dizer. Afinal, pensar gera conclusão sobre um tema, ou vários, e de conclusões surgem novidades, por vezes, ideias e ideais novos. Ninguém que tem poder nas mãos quer coisas novas, novidades quais sejam e em qualquer temática. Não pensar é a moda da mídia.

Vivemos em um mundo que nos ensina a querer sempre mais e mais coisas. Sim, computadores revolucionaram. Mas não querem apenas computadores puro e simplesmente: todos querem a cada parcela de meses trocar, trocar, trocar por novos e mais novos produtos tecnológicos. Em tantos exemplos, nem mesmo a pessoa precisa daquela novidade, mas sente que precisa daquilo para ser feliz. Sente que sem aquilo não estará inserida na realidade do mundo. Sente-se à deriva, sabe-se lá. O advento das coisas sendo produzidas em tão grandes escalas e com tantas novidades por minuto fez o homem não saber mais o que quer. Ele quer tudo quanto haja, não valoriza o que já tem, não quer saber de poupar, guardar as coisas que lhe são úteis. Quer trocar por novos itens que por inúmeras vezes nem sequer os irá usar ou saber pra que comprou - mas ele precisa comprar.

Esse lado obscuro do mundo capitalista ninguém vê. Criaram um mundo em que a todo tempo e a toda hora coisas devem estar sendo vendidas, produzidas para no dia seguinte estarem à venda. Pessoas no mundo todo estão ansiosas pelas novidades assim como a criança espera com fome a mamadeira próxima. Sim, estamos famintos por novidades assim como se houvesse um vazio em nós a ser preenchido, porém eis que logo ele esvazia de novo e precisamos comprar mais... O que sustenta isso? Quem enriquece com isso? Nós é que não somos! Somos meros compradores de elite ou comuns, mas todos vivem de comprar, comprar e querer sempre mais além do que o vizinho já possui, correto? Estamos às avessas.

Já disseram que rico é aquele que precisa de pouco. Ou seja: seria rico aquele que chamamos de pobre, mas que olha para seu entorno e não sente falta de nada. Pode haver isso? Pode! Mas nossa cabeça embriagada com necessidade de entupir prateleiras e armários com novos utensílios da modernidade não consegue ver a doença que lhe consome as entranhas. Somos uma sociedade doente que quer sempre mais, clama sempre por mais e mais coisas, quer tudo ao tempo e à hora que deseja. Sim, logo ali. Geração ao estilo ''fast-food''. Consumir produtos como se houvesse uma fome deles a preencher o vazio que mencionei acima. Quem quer olhar para si e saber-se vazio? Ninguém! Mais fácil e comprar e vencer o vizinho na busca por mais e mais ''posses''. Correto?

Enquanto nos entupimos de produtos para manter o status quo de promessas sadias do capitalismo que somos, tantos sofrem pelo mundo explorados em empregos (ou como dizem hoje: sub-empregos) sucateadores da condição humana. Sim! Tantos que, aos moldes de nossa cultura ocidental, poderíamos dizer estarem sendo escravizados caso trabalhássemos como eles e sob aquelas condições. No mesmo tempo e em mesma intensidade que eles trabalham, estaríamos revoltados - mas não nos revolta a condição que criamos para manter o mundo capitalista aos moldes de tamanho consumismo.

Somos, digamos assim, atentos? Não! Não queremos saber do sofrimento alheio. O que nos faz sofrer é, ver nas propagandas já anunciados novos aparelhos ultra-modernos e qualquer outro novo artefato de importância (duvidosa, tantos deles!) e ainda não possuí-los! Correto? Criamos uma forca na qual nós mesmos nos enforcamos sedentos por consumir. Forca essa que nos mantém sempre na necessidade absurda de gastar e vencer a competição social de quem possui mais. Nisso, vamos nos matando num processo de consumir que na verdade nos consome. Imaginamos estar subindo alto nas escalas humanas da vaidade, porém, chega a hora que caímos e nos vemos enforcados com o padrão desenfreado que criamos. Estamos então, digo e repito: sendo enforcados aos poucos!

Apesar disso, somos cegos demais para ver e voluntariamente ignorantes demais para entender o lado negro dessa forca! Sim, há o lado negro da forca e estamos nos matando - e matando pessoas - com isso! Habitamos a ditadura do capital! A ditadura do comprar sempre mais e não medir esforços para ter maior poder de compra possível. Coitados de nós! Coitado do futuro para além de nós.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

sábado, 24 de janeiro de 2015

Sobre balanços em praça pública

Rubem Alves falou certa vez algo sobre criarem-se balanços em praças públicas para os adultos. Sim, mestre, concordo! Adultos seriam mais livres caso permitissem a si mesmos o aparente devaneio da inocência de um balanço. 

Um balanço seria algo como um mitológico momento em que deixa de existir o adulto carcomido pelos sonhos perdidos, pelas tarefas a serem cumpridas, pelas pressões do cotidiano adoentado enquanto realidade de se viver e, naquele mesmo balanço, surgiria um mitológico novo homem - livre, corajoso, versátil, que se move apesar do medo e dos olhos alheios de desdém. Sim! Rompendo-se o comodismo da posição estática em que se encaixava tão confortavelmente entorpecido no cotidiano de sua vida adulta. Aquele homem, entregue aos prazeres daquele balanço, seria enfim livre como queria, jovial sonhava ser novamente, corajoso como até ali não havia sido... Seria sim uma espécie de ser mitológico (re)nascido naquele balanço!

No ir e vir, balançando, cabelos ao vento, mente aos devaneios felizes, seria aquele ali um homem mais leve no pensar, mais desapegado no refletir, dotado de mais coragem nas suas conclusões. Será? Creio que sim. Penso que um homem capaz de entregar-se à inocência de um simples balanço em meio à praça pública, em meio aos olhos alheios que o aviltam - sem motivo!, seria um homem mais evoluído, mais disposto a mudar conceitos, paradigmas, protocolos sociais... Seria mais hábil no traquejo necessário a mudar a si mesmo e, com isso, mudaria melhor e mais facilmente a sociedade. Posso estar errado! Não seria a primeira vez... Não tenho frequentado balanços há anos, infelizmente.

Tudo isso seria meramente por causa daquele balanço em praça pública? Seria pelo fato da exposição de si mesmo tão desnudo de padrões ''adultos'' e maduros de comportamento previamente estabelecidos? Entregar-se à leveza do balanço seria enfim um avanço no relacionamento daquele indivíduo com o seu entorno. O entorno, mesmo aparentemente desconfortável com sua liberdade, não o incomodaria mais. 

Não somos assim? Estou enganado? Nos incomodamos quando nos olham com olhos de: ''o que você está fazendo?'' ou ''pare com isso, pois está me envergonhando!''... Tantos padrões estabelecidos em represálias nos vem à cabeça agora, correto? Eles nos surgem só de pensarmos na seguinte cena: imagine-se vendo um balanço em praça pública, saltitando aos olhos estando solitário. Nele você poderia alcançar o momento de ver-se livre do toque ensurdecedor de nossos pés ao chão do mundo real. Com isso, poderia entregar-se a ele, sentir-se liberto do mundo e romper seus paradigmas aprendidos de uma ''vida adulta saudável'' ou socialmente adequada! Seria fácil pensar na enormidade de frases com tom jocoso que surgiriam quando descêssemos de lá, referindo-se a nós. Não? No mínimo um: ''você é maluco!''. Essa seria uma clássica frase.

Que haja mais ''malucos'' no mundo. Que haja mais balanços em praças públicas. Que haja menos realidade ensurdecedoras e mais sonhos livres. Sonhos viram realidades um dia, não disseram? Sonhemos juntos. Afinal de contas: sonhemos apesar de tudo! Acho que falta-nos sonhar - é isso!, sendo livres pensadores a ponto de alcançarmos a liberdade de existir sem preconceitos adquiridos da vida adulta que nos ensinam desde o berço. Entreguemo-nos ao balanço e aos ventos de liberdade na face, nos cabelos, na mente... Caso não seja fácil assim: perdoem-me. Creio que estou ficando maluco de tanta estática ao redor, vendo pés presos e tendo os meus também assim - quase acimentados! Talvez seja por isso que vejo-me sedento por um balanço - ou por sonhos? Não sei...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

domingo, 11 de janeiro de 2015

Das lágrimas que não são minhas

Tomei para mim todas as dores?
Que nada. Não as quero!
Tristeza, decepção? São rumores...
Ateio fogo, no sofrimento, como Nero.

De nada servem lágrimas, comoção.
Por qual motivo choraria pelo outro?
Por quem haveria de doer meu coração?
Quero apenas viver, por mim mesmo, absorto!

Mortes? Que haja, de quem quer que seja.
Atrocidades? Que haja aos tantos pelo mundo.
Por mim, tanto faz... Que tudo acabando esteja.
Não me interessa pensar nisso, a fundo.

Acordarei pela manhã; tomarei meu café.
Lerei jornais, como eu, alienados, no trabalho.
Aos domingos, no templo, hei de expor alguma fé.
Afinal, disso: o que finjo que faço é o que valho!

Olhos, que não os meus, servem apenas para me medir.
Meço meus poderes pelos olhares atentos alheios.
Isso é o que importa: dominar a atenção, possuir...
Decerto, à ânsia por poder e conforto não há freios.

Riquezas e sucesso! Domínios para mim!
Quem não quer para si, eu pergunto?
Atrocidades do mundo? Que existam, sem fim,
Desde que mantenham, de mim, o conforto junto.
                                                                     Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Entre Jesus e Barrabás

O que há de errado conosco? Mataram pessoas em um atentado em um país tido como livre, onde a liberdade de expressão é premissa básica, correto? Lá, onde as pessoas exigem o que lhes é lícito: direito de ir e vir, de expressarem suas ideias e ideais etc, correto? Sim! Existe o respectivo luto pela perda de pessoas devido a ainda existirem no mundo atual aqueles que não aceitam divergirem deles, de seus pensamentos, de seus poderes, de sua religião, de sua forma de praticar mercado e gerar lucros. Há gente que não aceita nada, é fato. Explodem em atentados terroristas, assim como há aqueles que fomentam/fomentaram guerras - e não menos terroristas eles são. É triste tudo isso! Mas, vá lá... Se é para comoção ampla, sejamos justos, correto? Como assim?

Em nosso país, como brasileiros cegos que somos, não vemos a enormidade de pessoas que morrem e sofrem por tanta intolerância que temos por aqui? Nós, aparentemente deitados eternamente em berço esplêndido, nos habituamos a não ver nada além de estrelas distantes como imagem intocável e trazer isso como realidade... Nosso entorno parece invisível, não palpável, algo assim. Surgimos, nascemos e fomos criados de costas para nossa realidade. Ou será que nossa cegueira é seletiva por algum motivo específico que esse idiota que aqui tenta escrever algo desconhece?

O holocausto causa comoção? Sim! Claro! O mundo todo deve saber disso e abolir quaisquer coisas semelhantes. Atrocidade humana quase incomparável a nada foi aquela. Porém, será que a escravidão em nosso país foi menos vil? Foram nossos antepassados menos cruéis ou, por algum motivo, absolvidos de seus atos diante da história? Não temos nenhuma responsabilidade quanto aquele passado e os descendentes daquilo? Eu, particularmente, não consigo enxergar como semelhantes as comoções despertadas... Quantos negros escravizados, explorados até o último suspiro, sequelados em torturas, com suas mulheres estupradas, filhos e filhas também abusados... Tanta atrocidade! Não vemos isso? E nossos índios? Também abusados, torturados, mortos... Por intolerâncias quais? Por religião? Por nossos ancestrais acharem-se superiores de alguma forma? Estamos cegos? E os demais indígenas, não apenas os brasileiros. Falemos então dos índios norte-americanos. Escalpelamento, sabemos o que é e foi, na verdade? As tantas mortes que ocorreram naquelas terras a preço de "expansão" daquele país... Ah, mundo idiota.

Há mais exemplos? Claro! Morrem diariamente uma enormidade de africanos: por doenças que nossas medicina e indústrias farmacêuticas ignoram ou fingem não se interessar, por intolerâncias religiosas e disputas de etnias, ou ainda disputas de poder puramente (como nos casos de domínios por zonas ricas em diamantes e etc. Até fizeram filmes sobre isso,). Crianças que ainda morrem de fome nos dias de hoje, afinal, uma em cada oito pessoas não têm condições nem de comer nesse nosso planeta diariamente... Há mais exemplos ainda? Há! No Oriente Médio, aparentemente odiado pelo mundo capitalista-cristão-ocidental, pessoas morrem por guerras há anos. Palestinos, por exemplo, oram ao seu Deus diariamente para serem tidos como povo, simplesmente como povo e terem direitos enquanto palestinos, recebendo seu devido respeito quanto a isso. No Oriente Médio também ocorrem atentados, sejam a bomba, a tiros, a facadas, a pauladas...  Enfim, tantos exemplos de gente que morre e fingimos não ver! Não consigo entender por qual motivo uns causam maior comoção, aparentemente ou não, que outros... Afinal, são todos humanos como nós!

Morrem pessoas em todo o mundo por intolerância... Porém, morrem muitas, muitas mais por nossa ignorância, nossa cegueira decerto seletiva, nossa hipocrisia. Há pessoas demais no mundo que querem ser importantes, mas raras, quase nulas, são as que querem de fato fazer a diferença e, acima de tudo, serem boas fazendo o bem! 

Por qual motivo é assim? Apenas a morte de cristãos é que nos comove? Seria isso? Por cristãos eu choro, mas por outros não - deixem que morram? Por isso então, p.ex., que o fato de africanos morrerem, ou indígenas, ou muçulmanos etc não nos desperta ódio, comoção, revolta comparáveis? Por qual motivo agimos assim, cegos? Cristo pregou isso? Apenas os muçulmanos poderosos tornam-se tiranos? E nós? Ah, sim... Dê-nos um pouco de poder e deixe-nos estar convencidos de que estamos corretos sobre algo, daí: esperem pelo que virá! Somos cruéis igual ou talvez até mesmo mais que muitos que hoje apontamos os dedos com face enlutada. Atentemos para isso, afinal, foi um povo dito cristão que lançou duas bombas atômicas a um país combalido (digamos assim) matando mais de 160.000 japoneses... Tudo aquilo no intuito de..? Não entendo. Nem a história entende, aparentemente... Falam uns sobre o intuito de "parar a guerra". Dizem outros sobre forçar o cessar fogo ao Japão na época... Há os que creem em outros fatos, considerando que tudo aquilo deu-se para mostrar aos comunistas, sinônimo de demônio para tantos, que um "novo poder" estava nas mãos dos norte americanos. 

Ah, o que somos? O que seremos? Tenho pena das crianças que nascem hoje. Tenho pena dos pais esperançosos que esforçam-se tanto por deixar uma boa educação e conforto aos seus rebentos. Mas, todavia, o que podemos esperar de um mundo onde a cegueira aparenta ser dada aos moldes de uma pandemia? Por falar nisso, eu não esqueci que ebola ainda continua matando africanos! É bem verdade que nosso mundo cristão-capitalista-ocidental esqueceu como um todo, aparentemente. Como não estão morrendo mais cristãos, ou brancos, ou europeus, ou sabe-se lá o que nos comove no fim das contas, não mais nos causa preocupação, correto? Certas coisas, certas mortes não comovem nossa mídia que, de acordo com o que tenho visto do mundo, direciona nosso choro... Em resumo: tenho pena de nós! Entre Jesus e Barrabás, nos dias de hoje, passados tantos anos, novamente escolheríamos pela salvação do segundo - e imploraríamos por nossa salvação clamando posteriormente pelo o nome do primeiro!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

O que influencia os brasileiros?

Os brasileiros são influenciáveis? Pelo que? Notoriamente, somos espectadores assíduos de TV, tele-jornais, novelas etc. Acompanhamos e sabemos mais da vida dos atores das novelas que os problemas de nossos filhos, esposas, maridos, amigos... Recebemos com toda pompa os jornais da TV em casa, de mesa pronta na hora do almoço, ou jantar, ou no conforto da sala por si só já confortável. Trazemos para dentro de nossas casas os mundos fictícios dos escritores de novelas - pois se fossem de livros, nem os conheceríamos. Mas não somos influenciados por nada disso, claro.

Sabidamente, nosso povo não é notório leitor de livros (embora muito leiamos quanto a fofocas em jornais, horóscopos, resenhas de novelas, esportes etc). Não valorizamos nossos pensadores nacionais - apenas quando morrem, dizendo um ''que pena'' aqui, ou ''era tão bom'' ali, ou o comuníssimo ''vá em paz'', muito embora boa parte nesses comentários apenas ache ''cult'' elogiar um renomado escritor que tenha morrido em redes sociais. O que então nos influencia?

Somos violentos? Sim. Nossas estatísticas não mentem. As redes de TV vomitam violência desde crianças (que fui!) até a idade adulta (que sou!). Filmes, séries, novelas... Tudo retrata "a realidade"- dizem os críticos de TV. Mas isso em nada tem a ver com nossos índices de violência. Claro que não! Batem o pé defendendo isso tantos e tantos...

Somos um povo que em nada valoriza nossas origens, os povos que foram maltratados e explorados nesse país. Só falamos deles quando alguém defende cotas - comentários que já ouvi me levam a dizer que não falamos bem, por sinal. Isso também ocorre na TV? Vejo que sim. Citem uma mão cheia, ou seja, 5 atores nacionais devidamente valorizados em presença na mídia que sejam afrodescendentes... Ou 5 desses que sejam descendentes de indígenas? Existem? Gostaria de conhecê-los. Desconheço por ignorância, provavelmente. Mas a mídia em nada tem a ver com isso. Não nos influencia em nada...

Nossas crianças não são mais crianças. Que tolice de frase é essa? Deixe-me explicar. Cite na sua cabeça quantas crianças você tem convívio que tenham ''tablet'', celulares ''da hora'', brinquedos eletrônicos caros, usem roupas ''da moda'' (e se preocupem em estar assim), mexam em facebook... Agora liste crianças que preferem correr nas calçadas, sujar as roupas brincando na areia, no barro, soltando pipas por aí, brincando de pique-esconde e que achem que namorar é coisa de gente adulta? Cite! Faça sua lista. 

Meu conceito de "ser criança" estaria encaixado na segunda lista pedida acima. Creio que teríamos a primeira bem mais ampla que a segunda - se houver crianças na segunda lista. Mas a TV, seus comerciais centrados no público infantil em nada tem a ver com isso e, claro, não somos influenciados...

Nossa visão de mundo político. Sim, vamos abordar essa parte do lixo social também. Alguém já viu, leu, acompanhou por si mesmo dados da história de países comunistas? Sabem listar uma mão cheia de pensadores ditos ''de esquerda''? Para dificultar: não vale contar Marx! E o que sabemos sobre socialismo e esses pensadores - queiramos ou não, sim, são pensadores recentes de nossa época e, ao meu ver, de muito valor. O que temos pelo socialismo? Medo? Raiva? Ódio? Algo próximo disso? Acho que sim. Alguém entretanto vê na mídia algo em favor de socialismo? De comunismo? Digo isso, mas dizendo em relação a falar abertamente sobre o que é, não apenas em críticas clichê que adoramos. Vemos algo como documentários sobre os moldes cubanos de formação médica? Sobre os ideais chineses de formação e educação coletivas em um sistema socialista - não socialismo puro, eu sei. Já adianto aos mais afoitos que já iriam criticar o post por isso. 

Alguém sabe de alguma notícia enaltecedora em nossa mídia a respeito de socialismo? Ah, Mujica... O ''bom velhinho''. Ele tem apelo de mídia, vende bem... É meritório, não é? O admiro muito... Ora, que bom! Pelo menos sabemos da existência e algo do pensamento dele -  será? Mas talvez alguns nem saibam que ele pensa de forma socialista. Afinal, socialismo é coisa do demônio, pode-se dizer. Bradavam isso nas épocas de ditadura, podemos pesquisar e ver. Coisa do capeta!  Não é? A mídia não tem (em nada!) nada a ver com isso, claro!

Adoramos capitalismo entretanto, comprar, vender, renovar semestralmente todo nosso aparato tecnológico... E, claro, alguém que seja(se diga isso ou favorável a isso) ou leia socialismo é idiota, hipócrita, pois socialista tem que "odiar" coisas nem pode comprar nada, não é isso? Certo dia, vi alguém criticando outro alguém por esse molde de raciocínio pronto, raciocínio "miojo": pré-moldado, pré-pronto. Ao que entendi, em sendo leitor ou admirador de pensadores socialistas, esse alguém não poderia ter celular, nem gostar de rock, nem ter TV em casa, nem assistir filmes, deveria odiar EUA e querer a morte de todos de lá etc. Aquela série retrógrada e idiota de comentários clichê... Interessante. Dessa forma, em sendo eu, por exemplo, crítico e contrário à exploração portuguesa em nosso país, não poderia eu admirar um bom vinho "Porto", nem muito menos admirar Fernando Pessoa. Claro! Lógico que não... Enfim: a mídia não tem nada a ver com isso...

Sendo assim: que diabos nos influenciam? Mídia? Não. Leitura? Não, pois não lemos. Conversas com nossos amigos? O dono do bar da esquina? O padeiro? Quem nos influencia? Tiramos nossas conclusões mediante qual embasamento teórico, prático? Não sei. Seriamos auto-didatas? 

Apenas tento influenciar a mim mesmo pensando que haverá um bom futuro para nós. Afinal, aprendi que esperança é, acima de tudo, para os que são insistentes e cegos.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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de outubro de 2015; disponibilizado inicialmente, em janeiro de 2015, em outro blog.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nada a perder

De que vale o amor se não for eterno e profundo? Se não nos falta o fôlego por medo quando quem dizemos amar se demora para chegar; ou se não suspiramos em estado de leveza sublime quando testemunhamos o sutil momento do olhar cruzado com o alvo do amor; ou se a mera sombra, lampejo de um futuro sem aqueles braços para abraçar não nos cause dor, seja sentimento grande ou pequeno: nada disso é amor!

Amor é profundo, terno, cristalino... Não há nele passado que haja marcado em dor, ou presente camuflado em falsa paz, ou ainda futuro com sonhos de afastamentos, momentâneos ou não. Amar é eternizar-se um no outro! É transpassar a efemeridade dos laços carnais, percebendo ser o amor muito mais que isso. Amor é metafísico, poderia dizer. Amor é laço da alma, daquilo que nos é etéreo, incompreendido, para alguns inexistente, decerto... Amar é força que move-nos no tempo, comove-nos e dá o alento. Amar consome o que é para ser consumido ao mesmo tempo em que faz brotar esperanças, coragem, energia vital além de sempre mais e mais amor... 

Sem amor, viver é pintar quadro sem pincel, ou ter pincel e não tinta, ou ter tinta, mas apenas negra... Amar é dotado de imensa profundidade, incalculável, eu diria, no âmbito do sentir, tal qual poucos sabem, tal qual poucos atestam, tal qual poucos têm a coragem de embrenhar-se - afinal, amar requer permitir-se ser alçado ao voo do desapego do medo, consolidando uma viagem para dentro da eternidade que há ao colocar-se dentro do peito da outra pessoa! Amar é nunca estar só; é saber-se relevante, inesquecível; é sentir que sentem por nós.

Amor é reciprocidade, entretanto! Não cabe amor em uma mão apenas. Duas mãos distintas deve segurar, manter suspenso pelo ar enquanto o chão olha, com desdém, torcendo para que caia e se quebre - mas as duas mãos sabem que nunca soltarão quando há amor!

Amar é seguir em frente sempre, pois quem ama caminha, acompanha, incentiva a nunca parar! Amar é um desassossego revolucionário que nos move através de todos os instantes, quer sejam dos sonhos almejados, das dificuldades vivenciadas, dos períodos de sorte ou falta dela... Quem ama, atravessa todo e qualquer instante de forma leve, suave, sem pesar! Afinal, o amor preenche todo o vazio de nosso ser e, completos, não há espaços para medos, dores, chagas... Além disso, dividi-se todo e qualquer peso trazido por sobre os ombros de dois, não mais apenas por sobre nossos ombros apenas... Amar é nunca estar só mesmo que ausente a pessoa amada esteja!

Não carregue sentimentos vãos. Não doe sentimentos vãos. Doe-se! Ame! Acredite que amor existe, afinal, a não existência dele é o que já temos, correto? O mundo está sedento por amor! Logo, na busca de amar: nada há a perder, apenas a encontrar!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

O real poder da escrita

Escrevo muitas vezes em homenagem às coisas que calo. Sim! Escrever é homenagear algo, uma ideia, um sonho, uma esperança, um entalhe no peito ou nó na garganta. Quem escreve desvincula-se (ou tenta) de algo que lhe transpassa, algo assim. Trivialidades ou não. Coisas da vida. Coisas essas que por vezes ferem, corroem, não têm definição explícita, porém, por algum motivo, naquele que escreve tornam-se algo por vezes demasiado consumptivo. Cabe então, nessas horas, escrever!

Decerto, perde-se tempo, horas ou dias, quiçá, até conseguir veicular no papel todo um emaranhado de ideias. Tempo esse que, na verdade, é uma trajetória na qual o escritor embrenha-se percorrendo caminhos que lhe tragam respostas. É fato: enquanto buscamos respostas, surgem ainda mais perguntas e, também é fato, não raro resposta alguma aparece. Então, percorrer essa trajetória rumo ao objetivo de esclarecer é na verdade uma auto-elucidação, um desvendar-se que emoldura-se numa realidade de remendar-se, uma prática de unir pontos para, de ponto em ponto, atingir (em auto-descobrimento) a imagem formada de si mesmo e das coisas por serem pensadas e vividas!

Escrever é investigar pensamentos, sonhos, ideias, fatos. É seguir ligeiro um rastro! Uma poesia é uma investigação também! Como? Escrever sobre um olhar não é apenas relatar no papel ideias preconcebidas sobre dois olhos. Não! Requer investigar os detalhes e as interpretações que por tantos outros nunca foram tidas no simples fato de dois olhos estarem adiante de nós, estejam eles nos encarando ou não. Escrever é sim investigar. É aprofundar-se para além do que a maioria acha plausível concluir e aceitar. Por vezes saem sim textos previsíveis, que pouco nos acrescentam diante de nossas ânsias de buscar algo novo. Mas, saliento: é parte da trajetória acima citada, afinal, como disse, é um auto-conhecimento! Veja: quem nunca falou pelos cotovelos, por tantas vezes sem sentido algum? Com o tempo, passamos a falar menos - ou não. Correto? É a expectativa tornarmo-nos mais objetivos no falar. Basta que consigamos amadurecer nós mesmos, nossos ideias e ideias. Não é verdade? Escrever é também algo que amadurece, pois nós somos o que passa ao papel! O escrito nada mais é que nós mesmos! Nem tudo quanto se escreve é de valor, portanto - mas há valor sempre em escrever qualquer coisa.

Escreva! Leia! Releia! Reescreva se for necessário. Nunca deixe passar em vão uma ideia. Investigue-a! Instigue seus sentidos, suas noções de mundo, de vida, de sentimentos, de razão, de si mesmo... Confronte-se e confronte o mundo! Nunca há de ferir ninguém quem anda desarmado. Quando produz-se um texto sem intuito ou viés de querer atingir algo ou alguém, apenas no intento de passar ao papel e, por conseguinte, ao mundo uma ideia, nunca há de deixar alguém ferido desse processo! Um texto não é uma arma desde que o autor não o faça assim, claro. Quem por algum motivo se feriu com algum texto pode simplesmente ter feito da verdade ali exposta um ardil e, com isso, de si próprio (ou em si próprio) caiu. É como escrever hoje sobre a hipocrisia em relação a tantos aspectos na sociedade atual. Somos hipócritas, não é fato? Mas dói saber que não somos perfeitos quanto queremos nos mostrar. Daí, escrevem-se algumas linhas sobre as hipocrisias veladas do dia a dia e cria-se enormidade de "feridos" e inimigos. Liberdade de expressão é uma faca sem cabo, ou seja: é lâmina para lá e para cá. Metáfora tosca, eu sei. Mas digo salientando que, através dela, cortam-se todos caso não se lhe manuseie corretamente.

Saibamos escrever sem o viés da crueldade de querer ferir algo ou alguém. Saibamos buscar caminhos para encontrar respostas ou perguntas mais fáceis de responder - sabe-se lá o real papel da busca. Sejamos livres para "parir" ideias, e que mantenhamos sempre alguma pitada de espanto quanto às coisas do mundo, afinal, não somos sabedores de nada, nem de nós mesmos. Investigue o mundo! Investigue-se! Instigue-se! É o real poder da escrita.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Enquanto não morro

Enquanto não morro, quero desvencilhar-me dessa chaga que é a certeza da morte. Enquanto não morro, quero viver. Quero seguir ignorando a questão proposta por Fernando Pessoa quando disse que "o homem é um cadáver adiado".

Quero, de despedidas curtas e abraços longos, partir para correr o mundo a passos largos. Quero cantar músicas aprendidas de última hora, ao som de violões amigos e batuques fraternos em bares ou outros cantos da vida. Quero desfrutar goles de bebidas em rodas amistosas pela noite e noutras pelo dia... Quero conhecer pessoas, várias, todas pelo nome. Quero interagir com gente de todos os locais, credos, cores; gente de toda sorte - quantas mais me for possível conhecer pelo mundo, tanto melhor será.

Quero desvincular-me do despertador e fazer do sol meu guia para o acordar; da lua,  meu norte para percorrer a escuridão em busca de uma prosa gostosa debaixo de uma árvore qualquer ao abrigo de pessoas amistosas, afastando medos e dissabores que a noite possa trazer... Quero despir minha alma de dores maquinais às quais o homem de hoje habituou-se a viver como máquina que tornou-se.

Quero seguir uma rotina despretensiosa rumo a um amanhã que desconheço, mas que me sirva de alforria em relação aos meus algozes pensamentos e atos do hoje. Quero saber-me livre amanhã e sempre! Afinal, Mark Twain disse algo assim: "os dois dias mais importantes da nossa vida são o dia em que nascemos e o dia em que descobrimos o porquê". Disso, apenas sei que nasci...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Pássaro que voa

A vida vai nos mostrando, aos poucos, de quando em quando, que é preciso às vezes parar, esperar o tempo passar, seguir aguardando até que algo que nos seja belo chegue, permaneça, acalente a alma e o coração inquietos nesse nosso mundo em torvelinho. Digo isso (quando digo de esperar algo de belo que nos chegue...) sobre pessoas, sobre coisas, sobre situações. A vida, saibamos disso ou não (embora cedo ou tarde constataremos isso), é uma infinitude de oportunidades de se perder, mas também de se encontrar. De fato é, relembrando o querido "poetinha", feita da arte do encontro - "embora haja tanto desencontro pela vida".

Esperar! Esperar até que cheguem momentos de paz, de prazer, de amar, de sorrir, de abraçar, mas também de fugir e de chorar - sim, fugas e choros podem ser muito reconfortantes! Chorar por vezes é como um suor da alma, pois, vez ou outra, pegamos nossa alma em fuga. Como assim? Não estou louco. Digo isso, pois há momentos em que temos a alma tão cansada... Cansada de tanto fugir. Cansada de tanto correr atrás de respostas (ou de perguntas?). A alma já tão desanimada, derradeiramente inquieta e sem mais forças. Chegamos, a partir disso, ao ponto de, tal qual nosso corpo numa maratona (e, é fato, a vida é uma maratona!), "suar" pela alma - e o suor da alma é o choro do corpo, choro esse, então, advindo dessas buscas em que se embrenha nosso ser! Entendamos: esse suor é traduzido no corpo material como lágrima, portanto. Estranho? Sim! Mas é essa a conclusão que tiro - afinal, sou um ser estranho.

E, disso, eis que de repente algo aparece. Fato. "Tarda, mas não falha" é uma expressão peculiar - aos otimistas, é claro. Tenho tentado usufruir e trazer desse raciocínio algo para impulsionar o viver. Tal é o fato, então, que algo surge, ressurge, insurge dentro de nós e coloca-nos (cedo ou tarde!) de frente com o novo, com o choque, com o impacto dele por sobre nós causando aquela sensação, coisa sem nome, sem definição, que costuma-se sentir quando encontra-se o caminho que sonhávamos, a coisa que esperávamos, a parte que era ausente - após tempos de incertezas, de apreensões, de procuras em meio ao caos. Felicidade? Seria o nome dessa sensação, desse momento? Não sei o nome ao certo, mas deixo sem definir, pois felicidade é para poucos; é sorte ou não que se tem a alcançar. 

Guimarães Rosa disse que amar é a gente "querer se abraçar com um pássaro que voa". Isso também se faz por definição para a felicidade. Ser feliz é querer abraçar um pássaro que voa também! Seria então amor sinônimo de felicidade? Creio que não - mas já nem creio mais em tantas coisas. Também há outra passagem: '' passarinho que se debruça, o voo já está pronto''. Nessa pérola para reflexão, talvez estivesse intrincada nela a verdade de que: por vezes, é melhor mesmo parar, esperar para enfim alçar o voo desejado. Voar...! Metáfora essa que é linda, embora clichê seja. Por ora, então, apenas espero! Há de haver na vida algo mais que tempo que passa.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Sobre as pessoas e sobre ser uma esponja


Por vezes você pode se sentir uma esponja. Não se engane. Às vezes chega a hora na vida em que isso te fará pensar, repensar sobre você mesmo... Pare de pensar. É melhor! Pensar cansa e te acaba afastando das pessoas, tornando-te um ser solitário, amargo. Não pense! Mas, também, não se engane e definitivamente entenda: por vezes você pode acabar se sentindo uma esponja. Como assim? Explico:

- "há pessoas na vida que passam anos tomando para si as dores dos outros. Fazem isso, se o fazem por boa vontade, caladas, sem alarde, sem querer mostrarem-se esponja alheia! Fazem simplesmente tentando reduzir a dor humana do outro! Não preocupam em mostrar-se ajudando ninguém, mas chega o dia em que são cobrados por isso, deveras. Quando disse sobre esponja, disse sobre a capacidade que muitas vezes alguns têm de sugar para si as dores do outro, as carências do outro, as demandas afetivas e gerais do outro. Quem torna-se esponja, descobri e lhes conto, nunca pode passar por momentos de solidão, ou de carência - tão humana a esse ponto não pode uma esponja ser! As pessoas acostumam-se com o fato de você ter passado, por vezes, anos, ou boa parte da sua vida, ou, por vezes, sua vida inteira lhes servindo de esponja. As pessoas querem terceirizar seus problemas. Problema seu se você os acolheu em si! As pessoas irão cobrar de você aquilo que antes você sugava para si, amenizando o peso nas costas delas - as dores, as carências, as demandas afetivas e as outras demandas que você puxava para si. As pessoas não se importam com você, de fato, por isso, não espere que elas entendam quando você não mais conseguir ser uma esponja... E não culpe ninguém! Entenda: é característico do ser humano ser doído, ser carente, ser afetivamente doente e, acima de tudo, ser egoísta. O erro é seu se um dia você acreditou que as pessoas se importam com você e se não fez os outros de sua esponja."

Logo, caro amigo, se por algum momento na vida você se depare com a situação em que as pessoas simplesmente não entendem que você não é (pois não consegue!) ser mais esponja, pois você por algum motivo não está bem, pois você está precisando receber coisas e não "puxar coisas" dos outros para si, não se zangue, não se decepcione com elas: elas continuarão sugando de você o que puderem. Culpa sua e somente sua de um dia ter conseguido ser esponja! Se esse dia chegar: apenas siga! Lute para ficar bem logo e, caso lhe seja possível novamente ser esponja dos outros um dia, volte a ser... Mas não se apresse! Ser esponja é doído, mas ainda é o mais certo perto daquilo que as filosofias religiosas nos pregam, correto? Uma pena, claro! Porém, perceba: é o pior caminho para continuar sendo um simples humano, um comum qualquer, sofrendo por suas próprias carências, por suas próprias dores, por suas próprias demandas - quaisquer que elas sejam.

Estamos sós, sempre, mas é preciso aprender a atravessar a solidão - também sozinho! É a chaga de ser humano: saber-se só e, por vezes, mesmo tão bem acompanhado que te penses, verás que estás de fato só e sem a compreensão de ninguém - além, claro, de ainda ser considerado o errado da história...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

O que aprendi no ano de 2014?


Aprendi que pessoas podem ter tudo (casa, comida, esposa, filhos etc) numa vida aparentemente feliz aos olhos desatentos (como nos é habitual nessa sociedade egoísta), porém podem essas mesmas pessoas abrigarem um espírito doente, uma mente doente, uma patologia chamada depressão, doença essa extremamente incapacitante (talvez a mais incapacitante de todas!). Concluí de fato que não estamos atentos ao sofrimento alheio, apenas queremos atenção ao nosso quando precisamos. Além de tudo, concluí que essas pessoas tristes serão julgadas como fracas, como "doentes" no sentido pejorativo e nada construtivo. Afinal: quem quer ajudar alguém? Quem quer tirar um sorriso de um rosto habitualmente choroso? Isso é coisa de palhaço? Para mim, palhaços são sim mais importantes que médicos, que juízes, que políticos, afinal, onde há um sorriso espontâneo, há esperança, há luz interior, há saúde que transpassa os lábios abertos em gargalhadas. Que sejamos mais palhaços então - e mais atentos às pessoas ao nosso redor...

Aprendi que pessoas aparentemente felizes podem também sonhar com a própria morte, mesmo que isso contrarie as expectativas das pessoas ou uma aparente lógica que trazemos do viver. Podem de fato se matar até! Vimos isso com Robin Willians... Saudades eternas daquele grande ator. Aprendi mais ainda que o ser humano pode ser infinitamente cruel, afinal, após a morte desse grande ator, vi tantos comentários desdenhosos quanto à sua ''fraqueza'', sua ''doença'' etc - até pude adquirir mais substrato para descrer no homem após isso.

Vi que mestres também morrem, mas seus ensinamentos nunca. Despedi-me de Rubem Alves. Despedi-me de Suassuna. Foram extirpados do mundo ou levados até perto de Deus, melhor seria pensar assim. Acho que Deus está carente de pessoas boas no céu, afinal, ele têm levado tantas para junto dEle...

Aprendi que gera mais comoção social uma seleção perder de 7 a 1 que saber que, em nosso mundo atual, 1 em cada 8 pessoas passa fome. Um placar muito mais nefasto, mas estamos desdenhosos quanto a isso desde sempre... Afinal, o capitalismo nos educa a apenas querer ter poder, conquistar poder e posse. Os pobres? Eles que se virem, pois, para muitos, ser pobre é sinal de fraqueza, algo assim. Somos adeptos da meritocracia. Isso me faz rir, ou chorar, não sei... Mas, é uma triste realidade saber que somos regidos pela égide do egoísmo acima de tudo. Ainda sobre o assunto anterior, vi inúmeros comentários, debates etc com pessoas digladiando entre si sobre o tal 7 a 1, mas não vi nada sobre esse mapa grotesco da miséria humana. Estamos mal, muito mal.

Revi que ainda morrem pessoas de Ebola e conclui que ainda continuarão a morrer como há dezenas de anos já ocorria, mas ninguém nada fez, nem fará. Aprendi que bastou morrer alguém que não fosse africano para um pandemônio ser criado. Porém, a pandemia foi controlada, seguindo ''apenas'' africanos a morrer. Claro, ninguém mais preocupou-se, aparentemente. Entendi de fato que a indústria de medicamentos, de vacinas etc, não preocupa-se com a saúde das pessoas, ou do mundo, preocupa-se com o dinheiro que a doença pode dar. É mais um ponto falho do capitalismo e do ser humano quando juntam-se: a dor não "dói" se não repercutir em lucros.

Confirmei que o ser humano é a espécie que mais traz risco à própria humanidade. Espécie que mata seus iguais, que deixa-os passar fome e não se comove. Deixa-os morrer de doenças e não se comove. Deixa-os fadados à pobreza eterna que é trazida desde seus ancestrais que nossos antepassados torturaram e exploraram, mas não se comove... Ainda, revivi conclusões simples como: o homem não sabe jogar lixo no lixo; não sabe reciclar; não sabe economizar e proteger os mananciais de água pura; não sabe controlar seu consumismo. Acha que dinheiro pode comprar tudo e resolve tudo, porém, chegará o dia, dia esse profetizado numa frase tão bela, em que o homem entenderá que: ''dinheiro não se come''.

Descobri que heróis da infância morrem. Descobri que mesmo nunca tendo encontrado Roberto Bolaños, ele era para mim (e para tantos outros) como um ente querido. Causou sofrimento sua morte, confesso! Mas, ficou um legado: a arte pura não morre. Ficou também a mensagem: aquilo que é produzido com amor, tamanha pureza e boa vontade torna-se eterno, amado e nunca sai de moda. Valendo-me da frase célebre da obra dele, é fato: quem poderá nos defender? Não sei! Mas espero que em 2015 aprendamos a nos proteger uns dos outros, a amar uns aos outros, a tolerar uns e outros, bem como seus argumentos, respeitando sempre - vi muita atrocidade na nossa democracia nesse malfadado ano. Espero que aprendamos mais sobre aquilo que nos disse aquele que é homenageado em seu nascimento no Natal: Jesus. Porém, de Natal, preocupamo-nos apenas com os presentes. Será? Que em 2015 não seja assim.

Nasce Jesus todo ano e morre Jesus todo ano... Até hoje, entretanto, não entendemos nem um nem outro acontecimento e sua lição. Simbólico? Mitológico? Não interessa. Religião é uma espécie de filosofia que pretende nos tornar melhores, muito embora não a tenhamos usado para isso. Não temos sido melhores! A mesma sociedade que condenou e matou Jesus ainda existe, ainda é a nossa. Matamos heróis ou os deixamos morrer, sem nada fazermos quanto a isso. Cultuamos dinheiro, prazeres, nosso ego. No mais, resta esperar que o ano novo seja bom, desde que assim sejamos também. Afinal, o ano é apenas um emaranhado de dias. O real problema é o amontoado de pessoas que convivem travestidas em seu egoísmo como vestimenta nesse tempo que passa através dos calendários e relógios. Esse ainda será um problema? Talvez... Mas eu sou apenas pessimista.

Aprendi que não adianta criar expectativas. As coisas correm de acordo com uma lógica que não entendemos nem depende de nós planejar. Porém, mesmo assim, tenhamos mais amor, mais paciência, mais sapiência e boas intenções, claro. Sejamos melhores! Fique o desafio! Desconfio que não mudará muito, mas é pessimismo meu. Mas, confesso: nunca é ruim surpreender-se - por outro lado, é sempre péssimo criar expectativas...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Olhos cegos

A matemática revolucionou o mundo. Milhares de anos após rabiscos principiantes nessa arte, surge como uma de suas consequências a tecnologia. Hoje, vê-se um mar de matemática banhando a realidade tecnológica que temos por realidade. Somos seres tecnológicos, talvez também possamos dizer: somos seres matemáticos.

Aprendemos a nos habituar com as consequências dos números. Aos cálculos. E, assim, como em contas comuns, números que entram e saem sem deixar saudades ou vestígios, passamos a ver o mundo. Na matemática humana do viver, entram e saem pessoas das ''contas'' diárias, sem que isso nos preocupe, nos cause dor, ou reflexão. São tantos números que nos são extraídos, ou melhor dizendo: são tantas pessoas que nos são retiradas, subtraídas, sem que isso nos cause qualquer resposta. Somos meros números num universo de matemática e numa Terra de tecnologias infindas. Deixamos o lado humano para arquivos pregressos de nossa história. Hoje habituamo-nos em ser máquina e tratar a nós mesmos, humanos, como meros números que entram e saem, sem qualquer reflexão sobre a existência.

Tantos que morrem por descasos infindos - da saúde, da educação, da segurança pública etc. Tantos que morrem por desistência do viver. Tantos que morrem ainda por fome. Tantos que morrem pela miséria que transpassa continentes... Ah, que matemática torpe habituamos a fazer e basear nela nossos cálculos do dia a dia. Um ser humano que morre é apenas um dado estatístico. É apenas mais um que será velado nos habituais e sem sentido velórios... 

Quando a dor do outro irá nos tocar? Quando as desigualdades irão nos mover e nos ativar o lado humano se é que ainda o temos? Quando ficaremos incomodados com as pessoas que passam frio, ou fome, ou sede, ou humilhações? Quando abdicaremos do conforto dos números somados em notas de dinheiro para pensarmos que a trajetória humana de tantos outros menos felizes que nós merece ser olhada, auxiliada, organizada, até mesmo ser gerida a desgraça deles? Quando romperemos o cordão umbilical que nos liga aos bancos? Quando romperemos a matemática das perdas humanas que nada nos comove? Quando veremos os demais do mundo como gente como nós, não apenas como números? 

Na vida real e no lidar financeiro, aprendemos a somar e adoramos multiplicar - a matemática financeira nos (co)move. Habituamo-nos com o subtrair (e isso não nos causa dor). E não sabemos o que seja dividir! É uma chaga que nos liga a um malfadado futuro de desigualdades perpétuas e a corriqueiros discursos verborrágicos pseudo-altruístas que não duram mais que na véspera do Natal. Temos os olhos cegos para a realidade que nos circunda. Apenas temos olhos para somar, multiplicar, copiar os erros prévios. Sobre repartir, distribuir? Isso deixamos quieto no sermão da montanha e com a reprodução teatral e falsamente comovida da encenação da morte de Cristo através da semana santa. Olhos cegos que não sabem ler aquilo que nos ensinaram, que não sabem enxergar aqueles que de nós precisam. Deus, tenha piedade de nós.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

As atrocidades da carência bruta

Parei e pensei: nossa sociedade está sofrendo. Estamos doentes? As redes sociais vulgarizaram com tamanha exposição as nossas morbidades afetivas - mentais, psicológicas, ou sabe-se lá qual definição dar. A exposição desenfreada de si mesmo numa espécie de grito rouco de: "eu esto aqui!". A porta aberta do mundo virtual... Beleza? Ostentação? Amor - ou falta dele? Alguém percebe o que tem ocorrido? Pode ser, entretanto, apenas uma doença dos meus olhos que teimam em enxergar errado...

A realidade das redes sociais através da ultra-exposição aos olhos alheios pode ser a etiologia desse distúrbio, creio eu. Ainda não sabemos lidar no dia a dia, na vida real com a opinião alheia, como saberíamos lidar com os olhos (atentos ou não) e opiniões nas redes sociais das pessoas com quem temos esse contato? Expressões de felicidade acabam por serem resumidas num sorriso calculado na foto (tantas fotos...) ou na imagem de casais felizes "trajados" em abraços (por vezes) aparentemente forçados em fotos premeditadas que trafegam pela rede. Seriam ou não exemplares de: "olhem para mim" ou "olhem para nós!" - cá estou eu, veja. Será? Acho que precisamos ser notados, comentados, curtidos, falados para nos sentirmos vivos... Não é que isso seja uma doença, claro, mas uma exposição da nossa carência de nós mesmos, talvez. 

Não sabemos estar sozinhos no mundo hoje, concluo. Parece causar alguma dor ou algo de desconforto a solidão testemunhada. A opinião alheia deve, de fato, causar alguma chaga no peito - pode ser isso. Porém, qual a dor que causa estar sozinho? Será tão real assim tamanho apreço dado ao fato de ter alguém do lado na foto? Esse alguém estará nas próximas fotos daí há alguns meses? Vejo uma ânsia imatura de mostrar-se "em relacionamento'', ou acompanhado de alguma forma. Há tantos casais felizes ''eternamente" que não duram nem mesmo um ano. Há também os tantos solteiros convictos que apaixonam-se perdidamente e se calam deixando a dúvida: eram tão convictos assim ou a sua solidão também doía? Há tantos rostos deformados por sorrisos falsos em fotos de perfis de redes sociais... A felicidade que não vem de dentro, mas sim da opinião alheia (de fora) para dentro de si. Entendem? Onde estará de fato a felicidade? Fora? Dentro de si mesmo? E do amor? Haverá um dia a força interna que vence os olhos alheios com auto confiança e auto estima suficientes? O que ocorre conosco? Seremos enfim donos de nossos próprios narizes ou precisaremos sempre de testemunhas para estarmos convictos ou não do que somos e temos?

Onde há felicidade em alarde, descreio do motivo do sorriso exposto na foto. Claro, sou sabidamente pessimista, mas é o que penso por vezes - teimando comigo mesmo se estou errado ou não! Será que o apreço pela beleza, ou pelo relacionar-se, ou a ostentação propriamente dita de vidas felizes está diretamente relacionado à felicidade bruta, pura, real? Será que todo esse alarde de felicidade estampado em perfis de redes sociais não seria mais uma das atrocidades do mundo que tanto nos tortura? Sim, nosso mundo não vai bem. Melhor seria ostentar algo de felicidades, mesmo que irreal? Será que criamos mais uma forma de sofrer, torturando-nos através da vida virtual? Somos carentes, percebo! Mas é parte da condição humana querer bem a alguém, querer sentir-se querido também. Todavia, há tanto amor e felicidade assim como aparentemente nos é dado pelas redes sociais? 

Penso com meus botões que tudo isso que testemunhamos pode ser parte das atrocidades do mundo sofrido que temos vivido. Porém, pelas redes sociais, hoje temos mais voz que há tempos atrás e, com isso, estamos mais disponíveis (e vulneráveis) aos olhos alheios. Atrocidades da carência bruta no mundo. Espero que eu esteja errado. Pensando assim, sorrio para a foto e me deito sozinho.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier