quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Enquanto não morro

Enquanto não morro, quero desvencilhar-me dessa chaga que é a certeza da morte. Enquanto não morro, quero viver. Quero seguir ignorando a questão proposta por Fernando Pessoa quando disse que "o homem é um cadáver adiado".

Quero, de despedidas curtas e abraços longos, partir para correr o mundo a passos largos. Quero cantar músicas aprendidas de última hora, ao som de violões amigos e batuques fraternos em bares ou outros cantos da vida. Quero desfrutar goles de bebidas em rodas amistosas pela noite e noutras pelo dia... Quero conhecer pessoas, várias, todas pelo nome. Quero interagir com gente de todos os locais, credos, cores; gente de toda sorte - quantas mais me for possível conhecer pelo mundo, tanto melhor será.

Quero desvincular-me do despertador e fazer do sol meu guia para o acordar; da lua,  meu norte para percorrer a escuridão em busca de uma prosa gostosa debaixo de uma árvore qualquer ao abrigo de pessoas amistosas, afastando medos e dissabores que a noite possa trazer... Quero despir minha alma de dores maquinais às quais o homem de hoje habituou-se a viver como máquina que tornou-se.

Quero seguir uma rotina despretensiosa rumo a um amanhã que desconheço, mas que me sirva de alforria em relação aos meus algozes pensamentos e atos do hoje. Quero saber-me livre amanhã e sempre! Afinal, Mark Twain disse algo assim: "os dois dias mais importantes da nossa vida são o dia em que nascemos e o dia em que descobrimos o porquê". Disso, apenas sei que nasci...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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