Rubem Alves falou certa vez algo sobre criarem-se balanços em praças públicas para os adultos. Sim, mestre, concordo! Adultos seriam mais livres caso permitissem a si mesmos o aparente devaneio da inocência de um balanço.
Um balanço seria algo como um mitológico momento em que deixa de existir o adulto carcomido pelos sonhos perdidos, pelas tarefas a serem cumpridas, pelas pressões do cotidiano adoentado enquanto realidade de se viver e, naquele mesmo balanço, surgiria um mitológico novo homem - livre, corajoso, versátil, que se move apesar do medo e dos olhos alheios de desdém. Sim! Rompendo-se o comodismo da posição estática em que se encaixava tão confortavelmente entorpecido no cotidiano de sua vida adulta. Aquele homem, entregue aos prazeres daquele balanço, seria enfim livre como queria, jovial sonhava ser novamente, corajoso como até ali não havia sido... Seria sim uma espécie de ser mitológico (re)nascido naquele balanço!
No ir e vir, balançando, cabelos ao vento, mente aos devaneios felizes, seria aquele ali um homem mais leve no pensar, mais desapegado no refletir, dotado de mais coragem nas suas conclusões. Será? Creio que sim. Penso que um homem capaz de entregar-se à inocência de um simples balanço em meio à praça pública, em meio aos olhos alheios que o aviltam - sem motivo!, seria um homem mais evoluído, mais disposto a mudar conceitos, paradigmas, protocolos sociais... Seria mais hábil no traquejo necessário a mudar a si mesmo e, com isso, mudaria melhor e mais facilmente a sociedade. Posso estar errado! Não seria a primeira vez... Não tenho frequentado balanços há anos, infelizmente.
Tudo isso seria meramente por causa daquele balanço em praça pública? Seria pelo fato da exposição de si mesmo tão desnudo de padrões ''adultos'' e maduros de comportamento previamente estabelecidos? Entregar-se à leveza do balanço seria enfim um avanço no relacionamento daquele indivíduo com o seu entorno. O entorno, mesmo aparentemente desconfortável com sua liberdade, não o incomodaria mais.
Não somos assim? Estou enganado? Nos incomodamos quando nos olham com olhos de: ''o que você está fazendo?'' ou ''pare com isso, pois está me envergonhando!''... Tantos padrões estabelecidos em represálias nos vem à cabeça agora, correto? Eles nos surgem só de pensarmos na seguinte cena: imagine-se vendo um balanço em praça pública, saltitando aos olhos estando solitário. Nele você poderia alcançar o momento de ver-se livre do toque ensurdecedor de nossos pés ao chão do mundo real. Com isso, poderia entregar-se a ele, sentir-se liberto do mundo e romper seus paradigmas aprendidos de uma ''vida adulta saudável'' ou socialmente adequada! Seria fácil pensar na enormidade de frases com tom jocoso que surgiriam quando descêssemos de lá, referindo-se a nós. Não? No mínimo um: ''você é maluco!''. Essa seria uma clássica frase.
Que haja mais ''malucos'' no mundo. Que haja mais balanços em praças públicas. Que haja menos realidade ensurdecedoras e mais sonhos livres. Sonhos viram realidades um dia, não disseram? Sonhemos juntos. Afinal de contas: sonhemos apesar de tudo! Acho que falta-nos sonhar - é isso!, sendo livres pensadores a ponto de alcançarmos a liberdade de existir sem preconceitos adquiridos da vida adulta que nos ensinam desde o berço. Entreguemo-nos ao balanço e aos ventos de liberdade na face, nos cabelos, na mente... Caso não seja fácil assim: perdoem-me. Creio que estou ficando maluco de tanta estática ao redor, vendo pés presos e tendo os meus também assim - quase acimentados! Talvez seja por isso que vejo-me sedento por um balanço - ou por sonhos? Não sei...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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