domingo, 11 de janeiro de 2015

Das lágrimas que não são minhas

Tomei para mim todas as dores?
Que nada. Não as quero!
Tristeza, decepção? São rumores...
Ateio fogo, no sofrimento, como Nero.

De nada servem lágrimas, comoção.
Por qual motivo choraria pelo outro?
Por quem haveria de doer meu coração?
Quero apenas viver, por mim mesmo, absorto!

Mortes? Que haja, de quem quer que seja.
Atrocidades? Que haja aos tantos pelo mundo.
Por mim, tanto faz... Que tudo acabando esteja.
Não me interessa pensar nisso, a fundo.

Acordarei pela manhã; tomarei meu café.
Lerei jornais, como eu, alienados, no trabalho.
Aos domingos, no templo, hei de expor alguma fé.
Afinal, disso: o que finjo que faço é o que valho!

Olhos, que não os meus, servem apenas para me medir.
Meço meus poderes pelos olhares atentos alheios.
Isso é o que importa: dominar a atenção, possuir...
Decerto, à ânsia por poder e conforto não há freios.

Riquezas e sucesso! Domínios para mim!
Quem não quer para si, eu pergunto?
Atrocidades do mundo? Que existam, sem fim,
Desde que mantenham, de mim, o conforto junto.
                                                                     Pedro Igor Guimarães Santos Xavier




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