quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Nada a perder

De que vale o amor se não for eterno e profundo? Se não nos falta o fôlego por medo quando quem dizemos amar se demora para chegar; ou se não suspiramos em estado de leveza sublime quando testemunhamos o sutil momento do olhar cruzado com o alvo do amor; ou se a mera sombra, lampejo de um futuro sem aqueles braços para abraçar não nos cause dor, seja sentimento grande ou pequeno: nada disso é amor!

Amor é profundo, terno, cristalino... Não há nele passado que haja marcado em dor, ou presente camuflado em falsa paz, ou ainda futuro com sonhos de afastamentos, momentâneos ou não. Amar é eternizar-se um no outro! É transpassar a efemeridade dos laços carnais, percebendo ser o amor muito mais que isso. Amor é metafísico, poderia dizer. Amor é laço da alma, daquilo que nos é etéreo, incompreendido, para alguns inexistente, decerto... Amar é força que move-nos no tempo, comove-nos e dá o alento. Amar consome o que é para ser consumido ao mesmo tempo em que faz brotar esperanças, coragem, energia vital além de sempre mais e mais amor... 

Sem amor, viver é pintar quadro sem pincel, ou ter pincel e não tinta, ou ter tinta, mas apenas negra... Amar é dotado de imensa profundidade, incalculável, eu diria, no âmbito do sentir, tal qual poucos sabem, tal qual poucos atestam, tal qual poucos têm a coragem de embrenhar-se - afinal, amar requer permitir-se ser alçado ao voo do desapego do medo, consolidando uma viagem para dentro da eternidade que há ao colocar-se dentro do peito da outra pessoa! Amar é nunca estar só; é saber-se relevante, inesquecível; é sentir que sentem por nós.

Amor é reciprocidade, entretanto! Não cabe amor em uma mão apenas. Duas mãos distintas deve segurar, manter suspenso pelo ar enquanto o chão olha, com desdém, torcendo para que caia e se quebre - mas as duas mãos sabem que nunca soltarão quando há amor!

Amar é seguir em frente sempre, pois quem ama caminha, acompanha, incentiva a nunca parar! Amar é um desassossego revolucionário que nos move através de todos os instantes, quer sejam dos sonhos almejados, das dificuldades vivenciadas, dos períodos de sorte ou falta dela... Quem ama, atravessa todo e qualquer instante de forma leve, suave, sem pesar! Afinal, o amor preenche todo o vazio de nosso ser e, completos, não há espaços para medos, dores, chagas... Além disso, dividi-se todo e qualquer peso trazido por sobre os ombros de dois, não mais apenas por sobre nossos ombros apenas... Amar é nunca estar só mesmo que ausente a pessoa amada esteja!

Não carregue sentimentos vãos. Não doe sentimentos vãos. Doe-se! Ame! Acredite que amor existe, afinal, a não existência dele é o que já temos, correto? O mundo está sedento por amor! Logo, na busca de amar: nada há a perder, apenas a encontrar!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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